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Surpresas marcaram eleição de 94
Se uma palavra pudesse ser escolhida para definir a eleição de 1994, não há dúvida, ela seria “surpresa”. Uma professora de Santana do Livramento, até então desconhecida pela maior parte do eleitorado, derrotou um dos nomes favoritos para a segunda vaga do Senado destinada aos gaúchos. Na disputa pelo Planalto, provavelmente a maior de todas as zebras: o sucessor de Getúlio Vargas e João Goulart, adorado por trabalhistas de norte a sul do país, sofre a sua maior derrota nas urnas e fica em quarto lugar, superado por um sociólogo, um metalúrgico e um médico, este último desconhecido até a eleição de 1989.
Com menos de um minuto no horário eleitoral gratuito de rádio e TV, Enéas Carneiro (Prona) conseguiu superar nas urnas o trabalhista Leonel Brizola (PDT), ex-governador gaúcho e do Rio e maior líder dos órfãos de Getúlio e Jango. Mas o grande vitorioso de 1994 foi o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que derrotou o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tendo como principal bandeira o Real, implantado quando era o ministro da Fazenda.
A eleição de 1994 deu ao ex-ministro da Previdência Social e ex-deputado Antônio Britto (PMDB) a chance de vingar a derrota sofrida em 1988 para Olívio Dutra (PT), na disputa pela prefeitura de Porto Alegre. Na corrida ao Piratini, Britto venceu Olívio no segundo turno com 49,58% dos 5,4 milhões de votos dos gaúchos. Recebeu 2,6 milhões de votos e Olívio 2,4 milhões.
Naquele ano, o deputado federal gaúcho mais votado foi Paulo Paim (PT), com 138.558 votos, seguido por Germano Rigotto (PMDB), com 108.334, e Yeda Crusius, com 104.295 votos. Nenhum outro gaúcho bateu a casa dos 100 mil votos na disputa por uma vaga na Câmara. O PMDB se destacou ao arrebatar oito das 31 cadeiras destinadas aos gaúchos na Câmara dos Deputados, conquistando 864.399 votos (15,57% do total). Embalado pela votação de Paim, o PT ficou com a segunda bancada entre os gaúchos (sete deputados), com um total de 675.911 votos. A menor bancada foi a do PFL, apenas com o ex-governador Jair Soares, que depois deixou a sigla para ingressar no PPB.
Onze candidatos disputaram as duas vagas do Rio Grande do Sul para o Senado em 1994, mas o grande vitorioso foi José Fogaça (PMDB), com 1,6 milhão de votos. A surpresa na disputa pelo Senado veio de Santana do Livramento. A professora Emília Fernandes (PTB), até então conhecida somente pela sua atuação no Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato) e como vereadora do município, conseguiu bater o segundo nome mais cotado para o Senado: Cezar Schirmer (PMDB).
Foi a apuração de votos mais dramática da eleição. A novata Emília Fernandes derrotou Schirmer nas urnas por apenas 17.571 votos de diferença, menos de um ponto percentual. Concorrendo pelo PTB e tendo como padrinho Sérgio Zambiasi (PTB), Emília obteve 1.164.989 votos, contra os 1.147.418 de Schirmer. Pouco mais de dois anos depois, a senadora trocou o PTB pelo PDT.
Fonte: Redação Terra
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