À sombra do poder
Desde o ocaso da ditadura militar, um partido assumiu a cena política nacional. Nunca elegeu presidente da República, nem tem candidato próprio à Presidência este ano, mas vive na rampa do Planalto, compondo, influenciando. Tem a maior e mais fiel bancada da Câmara – 111 parlamentares – e preside o Senado por meio do carismático e influente Antônio Carlos Magalhães.
Considerado por sociólogos o legítimo representante das elites brasileiras, o Partido da Frente Liberal (PFL) surgiu de um racha do PDS (sucessor da Arena) em 5 de julho de 1984, dois meses depois da derrota das Diretas-Já. O próximo presidente seria eleito no colégio eleitoral. O PFL, então, entrou em campo.
Com dissidentes do PDS, o partido permitiu a vitória do peemedebista Tancredo Neves, derrotando Paulo Maluf (PDS). O PFL ainda indicou o vice, José Sarney. A chamada Aliança Democrática tinha até o apoio dos partidos comunistas. O restante da história, com a morte de Tancredo, é conhecida. Sarney teve que se mudar para o PMDB, não sem antes garantir que estaria rodeado de pefelistas. Era o reinício de um longo ciclo no poder.
O candidato da sigla a presidente em 1989, Aureliano Chaves, fez menos de 1% dos votos, mas na gestão Fernando Collor o PFL ocupou importantes cargos e deu sustentação política ao governo. Com Itamar Franco os pefelistas influíram em menor grau, mas foi com a vitória de Fernando Henrique, em 1994, que o partido se consagrou como força política organizada e eficiente do país. Assumiu ministérios no governo tucano e a liderança na Câmara e no Senado.
Afeito ao poder, o partido aglutina líderes de estilo diversos. ACM às vezes é truculento, às vezes apenas duro, outras vezes desbocado. O vice-presidente Marco Maciel e o senador Jorge Bornhausen preferem a discrição. Na hora do voto, entretanto, as diferenças desaparecem. É quando o PFL mostra toda a sua vocação de melhor aliado de qualquer governo.
Fonte: Redação Terra
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