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Sarney mudou o significado do cargo de vice
O poeta maranhense José Ribamar Ferreira de Araújo Costa entrou para a história como aquele que emprestou novo sentido ao prefixo vice. Era para ele ter sido apenas o vice do primeiro presidente civil depois de 20 anos de ditadura militar, mas acabou se tornando o próprio. Com a internação de Tancredo Neves na véspera da posse, em março de 1985, José Ribamar assumiu a Presidência da República como interino. Com a morte do colega, um mês e meio depois, foi confirmado no cargo. Daí para a frente e até o final do mandato, em 1990, conheceria a glória e a decadência.
No velório de Tancredo, José Ribamar – membro da Academia Brasileira de Letras, celebrizado com o apelido de seu pai, José Sarney – prometeu manter vivo o legado do presidente morto:
– Não deixarei murchar a esperança.
Em seguida, nomeou o ministério que o parceiro de chapa havia escolhido, procurou seguir o programa que ele traçara e até herdou a expressão Nova República, cunhada pela turma de Tancredo. No ano seguinte, o seu ministro da Fazenda, Dílson Funaro, lançou o plano de estabilização econômica que ficaria célebre como Plano Cruzado. A moeda perdeu três zeros e mudou de nome. Preços foram congelados. Salários também não subiam. A correção monetária se extinguiu e a poupança passou a ter rendimentos trimestrais.
De um dia para o outro, a inflação encostou no zero e um clima de euforia tomou conta do Brasil. O país atendeu com insuspeitada energia à convocação para vigiar os aumentos de preços. Por todos os Estados, pipocaram denúncias. Cidadãos – “em nome da Presidência da República” – fecharam as portas de supermercados que haviam tentado burlar o Plano Cruzado. Estavam em ação os “fiscais do Sarney”.
Nos primeiros tempos, a inflação de fato baixou – à mesma medida que a popularidade de Sarney cresceu. Na esteira, vieram o desabastecimento, as pressões por reajustes salariais, a insatisfação dos produtores rurais. O plano dava sinais de cansaço.
Economistas do governo alertaram para o perigo de manter o congelamento. Sarney manteve. Mas só até as eleições de 15 de novembro, depois de estar assegurada a vitória esmagadora de seu partido, o PMDB (com 22 governadores eleitos e 53% das cadeiras do Congresso).
O Brasil se sentiu traído. O Plano Cruzado 2, que viria a seguir, congelaria alguns preços, poucos serviços e todos os salários. Começava a decadência do governo José Sarney. Até o final do governo, sua popularidade despencaria a pouco mais de 20%.
Fonte: Agência RBS
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