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O presidente bossa nova
Brasília não passava de um gigantesco canteiro de obras em 1958, mas houve quem desencavasse uma garrafa de uísque para brindar com o presidente, o mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira. De copo na mão, ele ainda reclamou da falta de gelo. Quase imediatamente, o céu se fechou e uma chuva de granizo despencou sobre o Planalto Central. A história, testemunhada pelo jornalista Murilo Melo Filho e repetida no livro Feliz 1958 – O Ano que Não Devia Terminar, ilustra o quão milagrosos e benfazejos pareciam aqueles tempos, que ficaram célebres como os Anos JK.
Juscelino, ex-prefeito de Belo Horizonte, ex-deputado federal e ex-governador de Minas, governou o país entre 1956 e 1961. Passadas quase quatro décadas, o presidente bossa nova, reverenciado em música por Juca Chaves, se mantém firme no imaginário do Brasil. Continuamente citado como modelo de estadista, ele é o político que “apresentou metas de desenvolvimento e fez o país crescer”, segundo o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ou ainda: “O presidente mais importante que o país já teve”, conforme o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva.
Ancorado no slogan “50 anos em cinco”, JK trabalhou com um plano de metas de cinco grandes objetivos: energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação. Abriu o país à entrada de capital estrangeiro, promoveu uma rápida industrialização e fez construir Brasília. De uma fábrica automotiva, o Brasil pulou para 14 montadoras.
Carismático, Juscelino perdeu uma única eleição: em 1975, para a Academia Brasileira de Letras. Sabe-se hoje que os militares – que já haviam cassado e suspendido os direitos civis do ex-presidente – pressionaram os imortais. JK morreu no ano seguinte em um misterioso acidente de carro, que até dois anos atrás ainda vinha sendo investigado
| Os anos JK |
| Um governo e seus números: |
• Juscelino Kubitschek assumiu a presidência do Brasil em 1956
• Foi eleito por uma aliança entre PSD e PTB, com 36% dos votos
• Seu slogan prometia 50 anos em cinco
• O seu Programa de Metas atraiu US$ 2,1 bilhões em investimentos externos
• Mais de 400 multinacionais se instalaram no país
• A inflação chegou a 30,5% em 1960
• JK passou a faixa presidencial em 1961 para Jânio Quadros
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Fonte: Agência RBS | |
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