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Campanha da Legalidade II: Um acordo de paz permite a posse de João Goulart
É quase meio-dia de segunda-feira, 28 de agosto de 1961. O presidente da República renunciou há três dias, e o governador do Rio Grande do Sul lidera um movimento nacional para garantir a posse do vice-presidente. De Brasília, os ministros militares mandaram as Forças Armadas marchar sobre o Piratini. Diante do palácio, na Praça da Matriz, centro de Porto Alegre, há milhares de pessoas. Homens, mulheres e até crianças se dizem dispostos a resistir ao lado do governador Leonel Brizola. Inesperadamente, no meio da multidão, explode um grito:
– Os golpistas!
Um grupo de oficiais fardados vem se aproximando do palácio. À frente, está o marechal Machado Lopes, comandante do 3º Exército. A multidão se desloca em direção aos oficiais. O confronto parece iminente.
Um cidadão começa a entoar o Hino Nacional. Em instantes, a praça inteira forma um coro. Os militares, petrificados, também cantam.
– Machado Lopes estava emocionado e trêmulo – contaria mais tarde uma testemunha.
O 3º Exército tinha aderido à Campanha da Legalidade.
Em seguida, no palácio, Machado Lopes comunica oficialmente a Leonel Brizola que apoiará a posse de João Goulart. Como o governador reconhecerá tempos depois, a partir daquele momento a balança da crise pende a favor do movimento da Legalidade.
Conta-se que, na manhã do dia 29, na Base Aérea de Canoas, oficiais fiéis ao ministro da Guerra planejam bombardear o Piratini. Um grupo de sargentos teria impedido a ação. O 3º Exército ocupa a base e destitui o brigadeiro Aureliano Passos do comando.
No Congresso, em Brasília, prepara-se uma solução conciliatória. No dia 2 de setembro, é aprovada a emenda constitucional que, para dar posse a Jango, muda o sistema de governo e implanta o parlamentarismo. Um conselho de ministros, escolhidos entre os parlamentares eleitos, assume a chefia do Executivo. O presidente da República tem seus podes limitados.
No dia 5 de setembro, João Goulart desembarca em Porto Alegre, depois de viajar pelo Exterior, passando por Paris, Nova York e Montevidéu. Dia 7, em Brasília, quando o Brasil comemora 139 anos de independência, o presidente finalmente toma posse.
Fonte: Agência RBS
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