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Renúncia de Jânio estimula golpistas
Um dos capítulos mais extravagantes da política nacional, a renúncia de Jânio Quadros, preparou o roteiro para um dos capítulos mais apaixonantes da História, a Campanha da Legalidade. Ao deixar a Presidência da República, em 25 de agosto de 1961, o homem da vassoura abriu uma crise do tamanho do Brasil. Seu sucessor legal, o vice-presidente João Goulart, era de outro partido, não contava com a simpatia das Forças Armadas, estava no Exterior e – pior – tinha passado pela China comunista. Não faltaria quem quisesse lhe subtrair o direito à posse.
A esdrúxula lei eleitoral em vigor naqueles tempos havia permitido que se elegesse o presidente de uma chapa (Jânio, da UDN) e o vice de outra (Jango, pela coligação PTB/PSD). Empossados, os dois nunca se afinaram. A renúncia do titular pegou o vice de surpresa. Goulart visitava Singapura e, para maior pavor de forças conservadoras, estivera pouco antes na China, a China Vermelha, como se dizia na época.
Cinco dias depois da renúncia de Jânio, os ministros militares divulgaram um manifesto contra a posse do vice-presidente. Alegavam que ele tinha a seu lado “conhecidos agentes do comunismo internacional” e “incontáveis elementos esquerdistas”.
Logo, o Brasil se dividiu. De um lado, estavam os que apoiavam o manifesto militar, o impeachment de Jango e a convocação de novas eleições. Na outra trincheira, sindicatos, organizações estudantis, cinco governadores e, conforme pesquisa do Ibope, a maioria da população brasileira.
Até adversários políticos de Jango, como Afonso Arinos (UDN), defenderam a posse constitucional. O Congresso não cedeu às pressões das Forças Armadas e criou uma comissão especial para estudar uma solução política. Um contramanifesto, assinado pelo marechal Henrique Teixeira Lott, insistiu na nomeação de Jango. Levou Lott para a prisão, por ordem do ministro da Guerra, mas ajudou a dividir os quartéis.
No Rio Grande do Sul, o então governador Leonel Brizola tratou de mobilizar a população. No dia seguinte ao da renúncia, dirigiu-se “ao Rio Grande e ao Brasil”:
– O povo gaúcho tem imorredouras tradições de amor à Pátria comum e de defesa dos direitos humanos. E seu governo, instituído pelo voto popular, não desmentirá essas tradições e saberá cumprir o seu dever.
Estava em marcha a Campanha da Legalidade.
Fonte: Agência RBS | |
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