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O voto no embalo do impeachment
Poucos dias depois de o presidente Fernando Collor ser destronado da Presidência da República, em 1992, os brasileiros foram às urnas escolher prefeitos e vereadores de todo o país. Uma espécie de voto plebiscitário premiou os defensores do impeachment e puniu os partidos que vacilaram no Congresso. O maior prejudicado foi o PFL, que não elegeu nenhum prefeito nas capitais. O maior vitorioso foi o PT. Apesar da derrota em São Paulo para Paulo Maluf (então no PDS, hoje PPB), o principal partido de oposição ao governo ganhou em Porto Alegre, Belo Horizonte, Goiânia, Rio Branco e, por muito pouco, não levou a vitória no Rio de Janeiro.
Na capital gaúcha, o PT também quebrou um tabu de quatro décadas. O então prefeito Olívio Dutra elegeu seu sucessor, o vice Tarso Genro. Isso não ocorria desde 1948, e a segunda vitória consecutiva em Porto Alegre tornou a cidade a principal vitrina da esquerda no país. Justamente a capital do Rio Grande, berço do trabalhismo.
A eleição de 1992 era a primeira para prefeito em dois turnos, e Tarso venceu nos dois. Desde o início da campanha, as pesquisas do Ibope apontavam a liderança absoluta do então vice-prefeito. O pedetista Carlos Araujo começou a corrida sucessória com 16% das intenções de voto, mas acabou superado pelo peemedebista Cezar Schirmer na reta final do primeiro turno.
No dia 3 de outubro, o candidato da Frente Popular fez 41% dos votos – apenas três pontos a menos do que todos os adversários juntos – e a decisão ficou adiada para 15 de novembro. O confronto final foi com Schirmer, coligado com o PC do B e apoiado pela cúpula do PDT. Até o governador Leonel Brizola subiu no palanque de Schirmer, mas não adiantou. Tarso acabou vencendo por 54,9% a 35,5%, conquistando o segundo mandato consecutivo para o PT na Capital.
Fonte: Agência RBS | |
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