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Guia do Eleitor
Aula de política
PL tenta reunir liberais do país

Um slogan de campanha embalado por um jingle de fácil assimilação foi o ponto mais alto que o Partido Liberal atingiu desde a sua fundação, em junho de 1985. Quatro anos depois de criado pelo deputado federal Alvaro Valle (RJ), até hoje presidente nacional da sigla, o PL sonhou com o poder. Em 1989, na primeira eleição direta para a Presidência da República desde a vitória de Jânio Quadros (1960), o partido lançou candidato próprio, o empresário paulista Guilherme Afif Domingos.

O bordão “juntos chegaremos lá, fé no Brasil” emplacou no horário eleitoral gratuito e chegou a ser um dos mais cantados nas ruas. Logo no começo da campanha, ultrapassou Ulysses Guimarães (PMDB), Mário Covas (PSDB) e ameaçou até mesmo Paulo Maluf, então no PDS, depois convertido em PPR e PPB.

Afif ganhou as manchetes como a surpresa da eleição, quem sabe uma alternativa mais eficiente do que Fernando Collor para derrotar a esquerda representada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Leonel Brizola (PDT). O cometa liberal se revelou de intensidade fugaz. Ao final da dura campanha eleitoral, começou a cair quando Covas citou algumas faltas do adversário do PL no Congresso, quando era deputado constituinte. Ao final, Afif chegou em 6º lugar, à frente de Ulysses, Roberto Freire (PCB, hoje PPS), Aureliano Chaves (PFL) e do ruralista Ronaldo Caiado (PSD).

O objetivo do PL era aglutinar os liberais descontentes dos outros partidos, do PSDB ao PFL. A idéia era, segundo o manifesto, “reunir os críticos do socialismo agonizante e do capitalismo reacionário, sob o signo da liberdade, para formação de uma pátria justa e cristã”. O objetivo não foi alcançado.

Na disputa de 1994, com a eleição de Fernando Henrique Cardoso, ancorado na aliança PSDB-PFL, o universo ideológico visado por Afif migrou para os dois partidos quase totalmente. Tanto que o deputado estadual Onyx Lorenzoni, único representante liberal na Assembléia Legislativa gaúcha, eleito em 1994, se transferiu para o PFL. Hoje, o PL não tem nenhum governador de Estado. Em 1994, denúncias provocaram a renúncia do candidato do partido à Presidência, Flávio Rocha, em favor de FH. Este ano, a sigla apóia a reeleição do presidente.

Fonte: Agência RBS
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