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Figueiredo comandou a volta ao quartel
O último presidente da era militar tomou posse prometendo “fazer deste país uma democracia” e deixou o cargo pedindo que o esquecessem. João Baptista Figueiredo entrou para a História como o general que sancionou a Lei da Anistia. No seu governo, acelerou-se a abertura e se restabeleceu o pluripartidarismo. Surgiram o PT e o PDT. A Arena virou PDS. O MDB, PMDB. Na área econômica, acentuou-se a crise, a inflação e a recessão. A chamada linha-dura do Exército reagiu contra a distensão política. Sedes de instituições democráticas, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), receberam cartas-bombas. Um malfadado atentado a um show no Riocentro, no Rio, expôs a face terrorista da ditadura.
Figueiredo assumiu a Presidência da República em 15 de março de 1979, depois de derrotar, nas eleições indiretas, o senador Magalhães Pinto e o general Euler Bentes Monteiro. O ex-chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI) chamou para a sua equipe ex-ministros dos quatro governos pós-64, convocou amigos fiéis, aceitou indicações políticas e atraiu técnicos do segundo escalão.
Iniciou o governo com uma imagem populista, montada pelo publicitário Mauro Salles. Deixou-se fotografar de sunga, apareceu fazendo exercícios e montado num cavalo. Terminou a gestão como militar carrancudo e frasista polêmico. Sequer passou a faixa presidencial para seu sucessor.
Hoje, aos 80 anos, Figueiredo vive com a mulher, Dulce, num luxuoso condomínio em São Conrado, no Rio. Quase não recebe visitas. Desde novembro de 1995, enfrenta sérios problemas de saúde. Submetido a uma cirurgia abdominal, ficou seis dias em coma, sofreu ressecamento nas córneas e conta atualmente com apenas 30% de visão no olho esquerdo e 10% no direito.
Ele também amarga dores nas costas e tem lapsos de memória. No ano passado, submeteu-se a uma cirurgia não-convecional na coluna com o engenheiro eletrônico Rubens Faria Júnior, médium que afirma incorporar o espírito do médico alemão Adolph Yeperssoven, conhecido como Doutor Fritz.
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Figueiredo ficou célebre por declarações polêmicas: |
• “Vejam bem, se o MDB vencer e somar a isso essa questão de Constituinte, bem, os militares não estão preparados para isso. E aí a coisa explode. Ou eu explodo junto, ou me componho com eles e vamos para um regime muito pior do que este.”
• “O eleitor brasileiro ainda não tem o nível do eleitor americano, do eleitor francês.”
• “Vocês não vão me convencer a derrubar o regime.”
• “Não posso obrigar o povo a gostar de mim. Sou o que sou, não vou mudar para que o povo goste.”
• “Durante muito tempo, o gaúcho foi gigolô de vaca.”
• “Eu gosto é de clarim e de quartel.”
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Fonte: Agência RBS | |
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