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A eterna escalada de Lula
Um brinde com sidra, há quase 20 anos, comemorou o nascimento daquele que se tornaria o maior partido de oposição do país. Foi num palanque improvisado, na Praça Lauro Gomes, em São Bernardo do Campo. O então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Luiz Inácio Lula da Silva, abriu a garrafa e fez o discurso. Estava inaugurado o primeiro núcleo pró-fundação do PT.
A fundação de verdade ocorreria alguns meses depois, em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo. A ficha número 1 de filiação seria reservada para o crítico de arte Mário Pedrosa, que denunciara no Exterior, durante os anos de chumbo, a prática de tortura no Brasil.
Desde 1978, Lula vinha articulando a fundação do PT. Em maio daquele ano, havia comandado a greve de 50 mil metalúrgicos no ABC paulista. Em julho, num congresso de petroleiros, em Salvador, Bahia, falara pela primeira vez na formação de um partido “sem patrões”. Ali o torneiro-mecânico começou a escalada de seus sonhos, a de dirigir o Brasil. Na sua primeira disputa eleitoral, em 1982, o PT conseguiu eleger oito deputados federais. Lula ficou em quarto lugar na corrida pelo governo do Estado de São Paulo.
Três anos depois, com discursos pró-reforma agrária e anti-pagamento da dívida externa, a legenda obteve sua primeira vitória numa votação majoritária. Maria Luiza Fontenelle elegeu-se prefeita de Fortaleza, mas acabou diexando o PT. Amparado nos militantes, o PT ampliou a bancada no Congresso nas eleições de 1986 e, dois anos mais tarde, conquistou as prefeituras de São Paulo, Vitória e Porto Alegre.
Na primeira eleição direta para a Presidência da República na fase pós-ditadura militar, o partido lançou Lula como candidato. Chegou ao segundo turno, mas perdeu para o caçador de marajás, Fernando Collor (PRN). O PT criou um governo paralelo para fazer oposição sistemática ao Planalto e, depois do impeachment de Collor, não aceitou cargos no governo “conciliatório” de Itamar Franco. Para ser ministra da Administração de Itamar, a ex-prefeita paulistana Luiza Erundina teve de se licenciar do partido. Hoje está no PSB. A derrota nas eleições presidenciais se repetiu em 1994, quando Fernando Henrique venceu Lula no primeiro turno. A crise interna do PT, que se desenhava desde a derrocada do socialismo no Leste Europeu, agravou-se ainda mais. Líderes do partido admitem que a legenda se deixou fragmentar nas disputas internas e não conseguiu desenvolver um projeto político alternativo.
– É necessário um choque de renovação no projeto político-programático e nos discursos do PT – reconheceu o deputado federal José Genoíno (SP), um dos líderes da legenda.
Pesquisa realizada pelo próprio PT no ano passado apontou o “envelhecimento” da militância. Segundo o levantamento, apenas 5% dos delegados do partido têm até 25 anos. A maioria (28%) está na faixa entre 36 e 40 anos.
Fonte: Agência RBS | |
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