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Cruzado, o furacão eleitoral de 86
Nas eleições de 1986, os gaúchos acompanharam o país inteiro e elegeram mais da metade de seus representantes entre candidatos do PMDB. No embalo do Plano Cruzado, que até então parecia ser o algoz definitivo da inflação, o partido do presidente José Sarney foi campeão de votos do Rio Grande do Sul ao Amapá. Além do governador e dos novos ocupantes da Assembléia Legislativa, foram eleitos os deputados federais e senadores que iriam discutir, redigir e votar a nova Constituição. Inalterado havia 17 anos, o documento consolidaria a Nova República.
A disputa eleitoral no Estado, em 1986, inaugurou uma série de alianças insólitas, que se tornariam comuns nos pleitos posteriores. Egresso do MDB, reduto dos setores de oposição à ditadura militar, Aldo Pinto (PDT) se aliou a Nelson Marchezan (PDS), ex-Arena, sustentáculo do regime, para tentar derrotar Pedro Simon (PMDB), inimigo de Leonel Brizola desde que o hoje senador se recusou a ingressar no PTB em 1979, durante a abertura política. Na eleição anterior, Simon havia perdido o cargo de governador para Jair Soares (PDS) por uma diferença de 0,6 ponto percentual. A dobradinha de ocasião conquistou 23,65% dos votos dos gaúchos, mas o grande vencedor foi mesmo Simon, com 41,68%.
A vitória do PMDB foi arrasadora, ancorada nos efeitos passageiros do Cruzado. O partido elegeu 52,9% dos deputados federais e 77,5% dos senadores brasileiros. Com essa base de apoio no Congresso, o presidente José Sarney modificou as regras do Plano Cruzado, que havia controlado a inflação, mal tinham sido contados os votos nas urnas. O Cruzado II, como foi apelidado o pacote econômico na época, acabaria por provocar a volta da inflação, estancada oito anos depois pelo Plano Real.
A informatização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou naquele ano um processo de moralização no sistema de cadastramento dos eleitores brasileiros. Com a centralização de informações pelo tribunal, em Brasília, e com o início da implantação da rede de informática da Justiça Eleitoral nos Estados, diminuíram os casos de duplicidade de títulos, que favoreciam as fraudes. Em alguns Estados, como Amazonas, Piauí, Maranhão, Bahia, Pernambuco e Pará, foram requisitadas tropas federais para garantir a tranqüilidade das eleições. Mas 1986 foi a eleição que, pela primeira vez, mostrou que conviver com estabilidade da moeda é um sonhos dos brasileiros – e um eficiente cabo eleitoral para os seus padrinhos.
Fonte: Agência RBS | |
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