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Democracia resistiu ao primeiro impeachment
O Brasil se valeu de uma palavra inglesa para dar uma lição de democracia ao mundo em 1992. No final da tarde do dia 29 de setembro, a Câmara dos Deputados aprovou em Brasília a abertura do processo de impeachment contra o presidente Fernando Collor. Por 441 votos a favor, 38 contra e uma abstenção, aquele que se elegera como “caçador de marajás” foi afastado temporariamente do cargo por denúncias de corrupção, tráfico de influência e formação de quadrilha. Três meses depois, no dia 29 de dezembro - poucos minutos antes da votação em que o Senado afastaria definitivamente o presidente - , Collor renunciou. Nas ruas, o povo comemorou. O Brasil, saudaram os jornais, dizia não à impunidade e aos conluios.
A votação na câmara - inédita no país - foi acompanhada por telões nas principais cidades brasileiras. No Vale do Anhangabaú, na cidade de São Paulo, milhares de pessoas se reuniram para torcer, como se fosse uma final de Copa do Mundo. Em Porto Alegre, a sessão foi transmitida por alto-falantes, voto a voto na Praça Montevidéu. Era o auge de um movimento que começara cinco meses antes, com a revelação do esquema PC.
O estopim fora detonado com uma bombástica entrevista de Pedro Collor em abril de 1992. O irmão do presidente detalhou para a revista Veja o funcionamento de um esquema de irregularidades financeiras, comandado pelo empresário Paulo César Farias, o PC, amigo e tesoureiro de campanha de Fernando Collor.
Novas denúncias pipocaram na imprensa. Em maio, o Congresso instalou uma CPI para investigar o caso. Estudantes pintaram o rosto de verde-amarelo e, com o apelido de caras-pintadas, foram às ruas exigir o impeachment.
Fonte: Agência RBS | |
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