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Braços do povo buscam estadista
A campanha que elegeu Getúlio Vargas para a Presidência da República em 1950 foi uma das mais pacientes, bem-articuladas e bem-sucedidas na história da política nacional. Naquelas alturas, Getúlio não era mais o manda-chuva do Estado Novo – o ditador que havia fechado o Congresso e abarrotado as cadeias com presos políticos. Era o doutor Gegê, o pai dos pobres.
A volta ao Palácio do Catete, sede do Executivo, no Rio, seria pelos braços do povo e com larga vantagem sobre os adversários. Na eleição direta, o ex-presidente, representante do trabalhismo, mereceria quase 50% dos votos.
A campanha começou a ser preparada na fazenda onde Getúlio se exilara, no interior de São Borja, na Fronteira Oeste, no dia de seu aniversário, 19 de abril. Ele recebia a saudação de amigos e de velhos parceiros políticos, quando João Goulart proferiu um discurso profético e inflamado:
– Ele voltará. Ele é o nosso candidato – deixou claro Jango.
Logo, começaram a ser alinhavadas as costuras de bastidores. O PTB de Getúlio buscou o apoio de seu maior rival, o PSP de Adhemar de Barros. O general Goés Monteiro foi sondado sobre o aval dos militares, que haviam derrubado Getúlio do poder.
Adhemar exigiu escolher o vice, Café Filho, e ganhou a promessa de que nas eleições seguintes teria o apoio de Getúlio. As Forças Armadas responderam que não se oporiam à posse do ex-presidente, no caso de ele se eleger, desde que fossem mantidos os “direitos impostergáveis” dos militares.
Com todas as forças populistas a seu lado, o carismático Gegê ressurgiu como o campeão do trabalhismo. Durante a campanha, prometeu consolidar a democracia, industrializar o país e fortalecer as leis da previdência social. Num momento de euforia, chegou a prever:– Se eu for eleito, no ato da posse o povo subirá comigo as escadas do Catete e comigo ficará no governo.
Os adversários – o inexpressivo Cristiano Machado (PSD), sem nenhuma experiência eleitoral, e o respeitado mas impopular brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) – não eram páreo para Getúlio.
A marchinha composta por Haroldo Lobo e Marino Pinto embalava a campanha triunfal:
Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar
O sorriso do velhinho
Faz a gente trabalhar, oi!
A votação de 3 de outubro de 1950 confirmou as previsões. Getúlio estava de volta ao Catete cinco anos depois da deposição.
Fonte: Agência RBS | |
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