Conhecidas por sua plena movimentação e disputa interna, as alas do PT foram
"amaciadas" por Lula nesta eleição. Para o ex-presidente da UNE e doutor em Ciência
Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Juliano Corbellini, as
alas radicais do PT estão muito fragmentadas em pequenos grupos. "É provável que esses
grupos mais à esquerda ocupem postos no escalão intermediário. Nos ministérios, o Lula
deve colocar pessoas do bloco moderado e de total confiança dele."
Corbellini também aponta para os apoios pontuais dentro do Congresso. "Parte do PMDB deve se aliar num primeiro momento", diz. Para ele, a composição de governo e oposição dentro do Congresso também vai depender da distribuição dos ministérios. Também é possível que setores tucanos se aproximem para o lado de Lula, mas "o PSDB e o PFL tendem a ser oposição". "O Lula terá que mostrar qual será a sua disposição para estabelecer suas alianças", completa.
Mas antes das articulações no Congresso, o PT e Lula terão que se "entender" com o mercado econômico. O presidente do Partido dos Trabalhadores, José Dirceu, disse durante a campanha que Lula deverá apenas anunciar uma equipe econômica de transição, mas só nomeará ministros em um momento oportuno.
A equipe de transição petista será dividida em política, social e econômica, podendo ser anunciada nesta terça-feira e deve ter no comando José Dirceu, Antônio Palocci, Luiz Gushiken e Luiz Dulci, que terão sob seu comando cerca de 50 pessoas. Entre os não petistas, podem estar nesta equipe o empresário Eugênio Staub, da Gradiente, e os economistas Sérgio Werlang, diretor do Itaú, e José Júlio Senna, da MCM Consultores, ambos ex-diretores do Banco Central.
Entretanto, a pressão do mercado fará Lula definir rapidamente três cargos chaves de seu futuro governo: o ministério do Planejamento, o da Fazenda e o presidente do Banco Central. O nome do futuro comandante do BC é guardado a sete chaves pela cúpula petista. Certo é que Armínio Fraga não será mantido no cargo, como já declararam Dirceu e o próprio Lula.
Um dos nomes cogitados para o Planejamento é João Sayad, atual secretário de Finanças de São Paulo e que foi ministro no governo José Sarney. O ministério, que terá mais importância que o da Fazenda, pelas propostas petistas que querem um governo mais voltado para o social. Outro nome ventilado é Rubens Ricupero para ocupar o posto de Relações Exteriores. Ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, ele trabalha em uma comissão (Unctad) das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento.
Nos bastidores, três nomes seriam "aceitáveis" em um ministro da Fazenda para o mercado. Henri Phillipe Reichstul, ex-presidente da Petrobrás, Paulo Vieira da Cunha, do Lehman Brothers, Henrique Meirelles, ex-presidente mundial do Fleet Boston e que foi eleito deputado federal por Goiás, aparecem nas bolsas de apostas.
"Quem quer que fale de nomes ou perfis está falando por conta própria. Esse tipo de declaração não tem valor nenhum nem aval meu ou de Lula", afirmou Dirceu durante a campanha.
Redação Terra