Lula diz que não pretendia virar o maior líder do movimento sindical brasileiro na segunda
metade do século passado. Que muito menos cobiçava, nem em sonho, a cadeira de
presidente. Queria ser jogador de futebol, e do Corinthians. Política? Detestou até os 22
anos.
Em 1967, teve a certeza de que ficaria longe dos gramados quando um dos seus irmãos,
José Ferreira, o Frei Chico, militante do PCB, o levou para o Sindicato dos Metalúrgicos de
São Bernardo do Campo, no Grande ABC. Lula já era empregado em uma fábrica na Zona
Sul de São Paulo. Assumiu como suplente no sindicato.
A morte da primeira mulher, a tecelã Maria de Lourdes, em 1970, grávida e vítima de
hepatite, deu os argumentos que faltavam para o metalúrgico mergulhar de cabeça na
militância. Conheceu a segunda mulher, Marisa, no sindicato cuja direção assumiu em
1975, com 100 mil trabalhadores sob seu comando.
Em 1978, cunharia uma frase emblemática: "Se os patrões não atenderem os
trabalhadores já, com negociações, serão obrigados a atender mais tarde, Deus sabe
como". No ano seguinte, estouraram as graves no ABC. Em 1980, Lula foi preso depois de
uma paralisação de 41 dias e ficou 31 dias detido no Dops (Departamento de Ordem
Política e Social).
Redação Terra