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Pais e avôs forjaram trajetória de Aécio, Campos e Dilma

Conheça a história dos pais de cada um dos três principais candidatos presidenciáveis para as eleições de outubro

10 ago 2014
08h00
atualizado às 11h11
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A herança paternal dos três principais candidatos ao Planalto se entrelaçam com a trajetória política deles. Aécio Neves, candidato do PSDB, foi forjado na política desde pequeno, tendo forte influência do pai, deputado Aécio Cunha, e, claro, do avô e ex-presidente Tancredo Neves. No Recife, Eduardo Campos, que disputa pelo PSB, teve um caminho semelhante, tendo como base3 o pai, Maximiano Campos, escritor e bastião cultural pernambucana, e o avô Miguel Arraes, ex-governador e um dos principais líderes da esquerda brasileira no século 20. A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, também deve muito ao pai, o empresário bulgaro Pétar Russév ou Pedro Rousseff, o nome que recebeu quando chegou ao Brasil. Rígido, Pedro foi fundamental na formação de Dilma. 

<p>Candidata do PT (de pé) é a filha do meio do casamento de Pedro e Dilma</p>
Candidata do PT (de pé) é a filha do meio do casamento de Pedro e Dilma
Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução

Filiado ao Partido Comunista Búlgaro, o pai de Dilma deixou o país do leste europeu em 1929, numa época bastante conturbada com a ascensão fascista na região. Inicialmente, Pedro foi para a França, passou pela Argentina e chegou ao Brasil, parando em Minas Gerais quando conheceu Dilma, a mãe da presidente. Na capital mineira, casou e teve três filhos, entre eles, Dilma, a filha do meio. 

O motivo para Pedro deixar a Bulgária ainda é um mistério. Dilma defende que ele deixou o país por ser um fugitivo político. No entanto, a parte búlgara da família Rousseff diz que Pedro saiu do país por questões econômicas. 

Segundo o livro "Rousseff", escrito pelos jornalistas búlgaro Monchil Indjov e o brasileiro Jamil Chade, que narra a história da família, há ainda uma terceira versão: um tio de segundo grau de Dilma, Tzonyu Kornazhev (primo de Pedro Rousseff), diz que Pedro era "um aventureiro irresponsável". Ele teria pegado dinheiro emprestado com a família e desaparecido.

Na Bulgária, ele deixou uma esposa grávida e jamais conheceu seu filho, Luben. No Brasil, Pedro se tornou um bem-sucedio empresário do ramo imobiliário. A educação de qualidade era a prioridade e matriculou os filhos nas melhores escolas de BH. Fazia questão de acompanhar os filhos e não admitia notas baixas. 

Em 1962, aos 62 anos, o pai da petista morreu. Dilma estabeleceu contato com o meio-irmão por alguns anos, mas ele morreu antes que um encontro acontecesse. 

Segundo a assessoria da candidata, a petista deve passar o Dia dos Pais no Palácio do Alvorada. 

Nome do pai e legado do avô
Enquanto Dilma tem o mesmo nome da mãe, Aécio Neves, candidato do PSDB, tem o mesmo nome do pai. Aécio Cunha foi deputado estadual em Minas Gerais e deputado federal de 1963 a 1987. 

<p>Aécio Cunha morreu no mesmo dia em que Aécio Neves conquistou a vitória nas eleições de 2010</p>
Aécio Cunha morreu no mesmo dia em que Aécio Neves conquistou a vitória nas eleições de 2010
Foto: Futura Press

Assim como o filho, Aécio Cunha teve influências familiares para seguir na carreira política. Seu pai era Tristão da Cunha, também político. Tristão chegou a assinar o Manifesto dos Mineiros, documento que circulou como carta aberta à população brasileira, pedindo a restauração da democracia e o fim do Estado Novo, em 1943.

O pai do tucano foi candidato a vice-governador de Minas Gerais na chapa de Itamar Franco, em 1986. Durante a presidência de Itamar (1992 a 1995), Aécio Cunha foi nomeado presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, mais tarde, conselheiro de Furnas Centrais Elétricas e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

Formado em Direito, Aécio Cunha se casou duas vezes, mas só teve filhos no primeiro casamento, com Inês Maria Neves da Cunha, filha de Tancredo Neves. A união gerou três filhos, entre eles, Aécio Neves, filho do meio.

Além do pai, Aécio Neves segue o legado do avô, uma das principais figuras políticas do Brasil no século 20. Tancredo foi ministro de Getúlio Vargas, primeiro-ministro no efêmero parlamentarismo brasileiro de 1961 a 1962, senador, governador de Minas e o primeiro presidente civil pós regime militar. Aécio se tornou secretário particular do avô e participou ativamente da campanha pelas Diretas e no processo eleitoral que culminou na eleição indireta de Tancredo. O avô, no entanto, morreu antes mesmo de assumir o cargo em abril de 1985. 

Aécio Cunha morreu em 2010, aos 83 anos, vítima de uma insuficiência hepática. No mesmo dia, seu filho Aécio Neves foi eleito senador por Minas Gerais. 

O candidato do PSDB deve passar o dia dos pais com a família no Rio de Janeiro. Ele é pai de uma filha, Gabriela Neves, de 22 anos, e de um casal de gêmeos que nasceram em junho deste ano. Julia e Bernardo nasceram prematuros e o menino continua na incubadora. Julia foi para casa no final de julho.

Na literatura e na política
O pai do candidato do PSB à presidência da República, Eduardo Campos, construiu seu nome, inicialmente, longe da carreira política. Nascido no Recife, Maximiano Campos integrou a Geração de 65, um grupo literário pernambucano formado por autores como Alberto da Cunha Melo e Raimundo Carrero. 

<p>Maximiano Campos teve 17 livros publicados</p>
Maximiano Campos teve 17 livros publicados
Foto: Instituto Maximiano Campos / Divulgação

No mesmo ano em que o grupo literário foi formado, em 1964, Maximiano, que estava na faculdade de Direito, casou-se com Ana Lúcia Arraes de Alencar. Ana Lúcia é filha de Miguel Arraes de Alencar, que, na época, era governador deposto de Pernambuco e preso político na ilha de Fernando de Noronha. A noiva de Maximiano era orfã de mãe e conseguiu permissão para que seu pai assistisse ao casamento.

Miguel Arraes foi quem ajudou a iniciar Eduardo Campos na carreira política. Maximiano era filho de usineiro e tinha um romance pronto antes mesmo de conhecer Ana Lúcia. "Sem lei nem rei", primeira obra do autor, foi publicada em 1968. O livro trata da briga entre coronéis do sertão e da zona da mata pernambucana.

O escritor assumiu o cargo de secretário de Turismo, Cultura e Esportes do Governo de Pernambuco, durante a segunda gestão do governador Miguel Arraes, seu sogro, entre os anos de 1987 e 1988.

Maximiano sofria de depressão, doença que o acompanhou por toda a sua carreira como escritor. Em 1998, aos 56 anos, o autor de 17 livros morreu. Cinco das suas obras foram publicadas postumamente. 

Eduardo Campos vai comemorar o Dia dos Pais junto com o seu aniversário de 48 anos, no próximo domingo. Ele deve passar a data ao lado de seus filhos e esposa em Recife. Seu filho mais novo nasceu em janeiro e foi diagnosticado com Síndrome de Down. Seu filho mais velho tem 20 anos e chegou a cogitar candidatura para disputar o cargo de deputado federal, mas desistiu no último mês.

Coligações partidárias: Dilma, Aécio e Eduardo CamposColigações partidárias: Dilma, Aécio e Eduardo Campos

Fonte: Terra

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