- Mirelle Irene
- Direto de Goiânia
Cortejado há meses pela base aliada do governador Marconi Perillo (PSDB) para que assumisse uma pré-candidatura à prefeitura de Goiânia, e após alimentar o mistério por semanas, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) anunciou nesta segunda-feira que não vai concorrer ao cargo. Ele afirmou ter pesado em sua decisão a opinião colhida em conversas com o próprio governador, com o presidente do DEM em Goiás, deputado federal Ronaldo Caiado, e outras lideranças políticas no Estado. Após os colóquios, ele decidiu ser mais "útil" reforçando a oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado.
"Decidi ficar mesmo em Brasília. A oposição anda muito fragilizada nacionalmente. Muitos preferiram que eu ficasse em Brasília trabalhando. O próprio governador acha que, com a minha experiência como senador neste momento seria mais útil que eu permanecesse por lá", disse Demóstenes.
O senador também disse que foi decisiva em sua decisão a reunião que o DEM nacional realizou na semana passada. "Eu fui praticamente concitado a ficar em Brasília", afirmou. Sobre projeto de uma candidatura majoritária nacional pelo DEM em 2014, Demóstenes foi discreto. "Em 2014 há uma boa expectativa de que o DEM lance um candidato nacionalmente, mas esse nome vai ser escolhido em 2013. Então, só me resta trabalhar, trabalhar e trabalhar. Esse é o meu lema."
Apesar de ter recusado a pré-candidatura por razões partidárias, Demóstenes disse que ainda quer ser prefeito de Goiânia um dia. "Estou adiando este sonho porque a oposição precisa de mim", reforçou. Líder nas pesquisas pré-eleitorais de intenção de voto na capital de Goiás, a desistência de Demóstenes mantém o problema da base aliada do governo estadual, que ainda não escolheu um nome que seja de consenso para disputar contra o atual prefeito Paulo Garcia (PT), que tem apoio dos partidos pró-Dilma em Goiás.
Demóstenes disse que a sua demora em desistir da candidatura não aumentou os problemas de opção da base, ao contrário. "Foi muito melhor ter acontecido isso, porque todo mundo que queria ser candidato se apresentou e hoje nós temos um leque de muita qualidade, de gente muito experiente. O melhor vai ser escolhido por esta coordenação", disse, citando o ex-prefeito de Goiânia, Nion Albernaz (PSDB), encarregado pelo governador Marconi para a tarefa e anfitrião da coletiva.
Sobre a candidatura do DEM em Goiânia, Demóstenes elogiou o vice-governador do Estado, José Eliton Jr. (DEM), mas disse que quem vai conduzir o processo no partido é Caiado. Sem Demóstenes no páreo, ele já declarou que defende Elliton Jr. como opção da sigla.
O senador disse também que, mesmo não concorrendo, deve ajudar a base no pleito. "Defendo candidatura única. Aglutinados nos podemos fazer um belo papel, e acredito firmemente que nós vamos ganhar a prefeitura de Goiânia", afirmou. Com a desistência de Demóstenes, os pré-candidatos já colocados, como os deputados federais Jovair Arantes (PTB), Leonardo Vilela (PSDB), João Campos (PSDB) e Armando Vergílio (PSD), e os estaduais Francisco Jr. (PSD) e Fábio Sousa (PSDB), devem disputar agora o apoio do governador Marconi Perillo na disputa pela indicação de candidatura própria. Caso o consenso não seja alcançado, a base pode pulverizar os nomes, lançando cada partido seu candidato.
- Especial para Terra
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