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 Búlgaros apontam em Dilma características típicas do país
04 de novembro de 2010 08h58

Nikolay Sirakov, prefeito de Gabrovo, aponta onde ficava a casa da família do pai de Dilma . Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

Nikolay Sirakov, prefeito de Gabrovo, aponta onde ficava a casa da família do pai de Dilma
Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

Lúcia Müzell
Direto de Gabrovo

Os búlgaros reconhecem que Dilma Rousseff não possui o biotipo dos Bálcãs, mas mesmo assim, são capazes de identificar na futura presidente traços que a ligam às origens da sua família paterna, nascida na Bulgária. As principais marcas, a força e a persistência da petista, teriam sido transmitidas no sangue búlgaro herdado por Dilma do pai, imigrante que formou família no Brasil nos anos 30.

"A mulher búlgara é forte, brava, capaz de administrar uma família inteira sozinha", avalia Nikolay Sirakov, prefeito de Gabrovo, cidade de origem do pai de Dilma, Petar Steganov Russev. A cidade foi alvo de uma verdadeira febre Dilma desde que a candidata começou a despontar nas pesquisas de intenções de voto para a Presidência de República do Brasil. Há alguns meses, a petista é assunto quase diário nos jornais não apenas de Gabrovo, como de toda a Bulgária, que está orgulhosa por fazer parte da eleição da petista ao mais alto posto de governo do Brasil, um líder emergente. "Já ouvi falar que, no Brasil, ela já foi criticada pelo temperamento forte. Aqui é bem diferente, isso é visto como uma qualidade nas mulheres", afirmou.

"Nós, búlgaras, só paramos uma tarefa quando terminamos tudo. Somos capazes de fazer um projeto de vida a longo prazo e só mudarmos de foco quando conseguimos o que queríamos", afirmou a organizadora de uma exposição sobre a família de Dilma em Gabrovo, Krassimira Cholakova. "Acho que ela é exatamente assim, e não tenho como negar que quando soube dessa característica dela, pensei: só podia ser meio búlgara!".

Uma prima de segunda geração de Dilma, a única descendente da família Russev que ainda mora na pequena cidade, confirma que, embora Dilma nunca tenha posto os pés na Bulgária, o seu temperamento a aproxima dos parentes que permaneceram no leste europeu. "Uma das tias dela, a Pia, era exatamente assim: forte, batalhadora. Sempre tinha a última palavra", conta Toshka Kovacheva. "Eu acho que Dilma a lembra um pouco fisicamente também".

Em relação ao físico de Dilma, o prefeito da cidade chegou a ressaltar que as búlgaras são conhecidas por serem muito bonitas. Questionado se achava a futura presidente do Brasil bela, Sirakov não hesitou: "Sim, acho. Acho que ela é sobretudo charmosa e carismática", disse.

Outro ponto que aproxima a futura presidente dos familiares búlgaros é a ligação com a política e, particularmente, com a esquerda. Uma das antepassadas de Dilma era membro do Partido Social Democrata e se tornou braço direito da primeira deputada mulher da Bulgária, nos anos 50. Há também especulações, não confirmadas, de que o pai dela, Petar Russev, era comunista antes de deixar a Bulgária para viver no Brasil.

Apesar das evidências, a recepcionista Nikolina Ivanova espera que a petista um dia visite a cidade natal de sua família paterna e tire as próprias conclusões sobre quais aspectos herdou do país. "Fica difícil de a gente especular sem conhecê-la. Só temos a imagem que a imprensa nos passa", contextualiza. "Mas, de acordo com essa imagem, ela é forte como qualquer outra búlgara que eu conheço. Essa é a nossa característica mais marcante".

Nikolina está empolgada com o sucesso da brasileira com origens búlgaras: chegou a fazer uma página no site de relacionamentos Facebook para homenagear a vencedora das eleições presidenciais do Brasil, para divulgar a história da família de Dilma na Bulgária.

Especial para Terra
  1. A exposição sobre a família Roussef só foi possível graças à única descente que restou em Gabrovo, uma prima de segundo grau de Dilma, Toshka Kovacheva

    Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

  2. A exposição "As raízes de Gabrovo de Dilma Rousseff" foi inaugurada no domingo, como uma forma de torcer pela vitória de Dilma no dia das eleições no Brasil, de acordo com a organizadora do evento, a pesquisadora Krassimira Cholakova

    Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

  3. A prova do empenho em sensibilizar a futura presidente a se reaproximar do restante da família no leste europeu é que o folder da exposição é bilingue, escrito em búlgaro e português

    Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

  4. A principal emissora de televisão búlgara, a TV7, participou da abertura, já que o nome de Dilma circula na imprensa do País cotidianamente há pelo menos três meses

    Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

  5. Dilma nunca visitou os parentes na Bulgária, embora tenha trocado cartas com o seu meio-irmão, Luben-Kamen Russev, pouco antes da sua morte, em 2008

    Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

  6. Na mostra, uma árvore genealógica com fotos dos ascendentes presidente eleita mostram a história da família paterna de Dilma, que até hoje vive na Bulgária

    Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

  7. O prefeito de Gabrovo chegou a ressaltar que as búlgaras são conhecidas por serem muito bonitas. Questionado se achava a futura presidente do Brasil bela, Nikolay Sirakov não hesitou: "Sim, acho. Acho que ela é sobretudo charmosa e carismática"

    Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

  8. a recepcionista Nikolina Ivanova espera que a petista um dia visite a cidade natal de sua família paterna e tire as próprias conclusões sobre quais aspectos herdou do país

    Foto: Lúcia Müzell/Especial para Terra

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