Dilma Rousseff (PT) foi alvejada por duas bexigas durante ato no centro de Curitiba
Foto: Jonathan Campos/Futura Press
- Roger Pereira
- Direto de Curitiba
Durante caminhada no calçadão da rua XV de novembro, no centro de Curitiba, na manhã desta quinta-feira (21), a candidata Dilma Rousseff (PT) foi alvejada por duas bexigas cheias de água - ou algum outro líquido ainda não identificado - arremessadas do alto de um prédio e uma bandeira atirada em direção ao jipe em que Dilma estava, no meio do público. Nenhuma das bexigas atingiu a candidata, mas a segurança isolou-a do público em seguida e a caminhada foi encerrada mais cedo do que o previsto. O destino final seria a Boca Maldita, tradicional ponto de encontro de manifestações políticas de Curitiba.
Foi o segundo episódio semelhante na campanha do segundo turno das eleições presidenciais. O candidato do PSDB à presidência, José Serra, cancelou compromissos ontem depois de ter sido acertado por uma bobina de fita adesiva na cabeça, durante caminhada em Campo Grande, no Rio de Janeiro.
Dilma Rousseff visitou Curitiba e Pinhais, região metropolitana da capital paranaense, para tentar diminuir a desvantagem de 300 mil votos que teve para José Serra (PSDB) no Paraná no primeiro turno.
Apesar dos incidentes, Dilma ficou mais próxima dos eleitores que nas outras quatro vezes em que esteve no Paraná em campanha: dois comícios e uma reunião com prefeitos em Curitiba e um comício em Foz do Iguaçu, durante o primeiro turno.
Se em outras ocasiões o público só pôde ver a candidata de cima de um palanque, nesta quinta-feira Dilma cumprimentou, abraçou, deu autógrafos e se deixou fotografar ao lado de eleitores. Na primeira vez que visita o Paraná sem o presidente Lula, Dilma tentou demonstrar o mesmo carisma de seu principal apoiador. Em um rápido pronunciamento, a candidata disse que está comprometida com o desenvolvimento do Paraná e pediu a militância na rua para que o PT consiga reverter a vantagem do PSDB no Estado.
Incidentes
Com a maioria de eleitores de Serra na capital paranaense, (o tucano venceu o primeiro turno com 44% dos votos, contra 26% da petista), Dilma enfrentou vaias e protestos durante sua caminhada pelo calçadão central de Curitiba. Apesar de mais de 500 militantes petistas acompanhá-la, a candidata ouviu provocações vindas, principalmente das varandas e janelas dos prédios comerciais por onde passou.
A preocupação com a repercussão da briga de militantes ontem, no Rio de Janeiro, quando o candidato José Serra acabou atingido por um objeto, deixou a segurança da candidata atenta, e com motivos: durante a caminhada, três bexigas de água foram atiradas da janela de um prédio em direção à candidata. Uma delas chegou a atingir a lateral do jipe em que Dilma desfilava. As outras caíram no chão, próximas ao carro. Em Pinhais, durante a carreata, uma bandeira plástica foi atirada, passando por cima do carro onde estava a comitiva petista.
Paraná
No mesmo dia em que Dilma fez campanha em Curitiba e Pinhais, Serra também visitou o Paraná. Acompanhado pelo governador eleito do Estado, Beto Richa (PSDB), Serra esteve em Maringá (Noroeste do Estado) e ainda passa por Ponta Grossa (região dos Campos Gerais, no centro-leste do Paraná). Para os tucanos, que venceram a eleição no primeiro turno no Estado, ampliar a vantagem no Paraná e nos outros Estados do Sul do País pode ser decisivo para Serra tirar a vantagem que Dilma tem no Norte e Nordeste. Com a força do governador eleito, o PSDB espera aumentar a diferença de 300 mil para mais de um milhão de votos.
A força dedicada pelos tucanos no Paraná (Serra já esteve no Estado há duas semanas, em Londrina)fez com que a campanha de Dilma abrisse os olhos para não deixar o adversário deslanchar no sexto maior colégio eleitoral do Brasil.
Sem agenda prevista para o Estado, a candidata decidiu contemplar o Paraná e tentar anular o "efeito Beto". "É natural que o governador eleito tente transferir votos para seu candidato à presidência. Ele está fazendo a parte dele, mas nós também estamos trabalhando. Nem o presidente Lula conseguiu votação expressiva aqui. Sabemos que é muito difícil vencer, mas se reduzirmos a diferença, já estará de bom tamanho" disse o governador do Paraná, Orlando Pessuti, coordenador da campanha de Dilma no Estado.
- Especial para Terra








