- Laryssa Borges
- Direto de Brasília
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares, saiu em defesa do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e disse nesta quinta-feira (30) que o representante da Suprema Corte seria incapaz de permitir que qualquer cidadão ou candidato interfira em suas convicções ou em um voto para o julgamento de um processo.
Reportagem do jornal Folha de S. Paulo aponta que Mendes e o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra, se falaram por telefone por volta das 14h desta quarta, antes da sessão plenária do STF. Na mesma tarde, apesar de sete dos atuais dez ministros já terem votado para derrubar a exigência de dois documentos para que o eleitor possa votar, Gilmar Mendes pediu vista dos autos, paralisando a análise do caso. Mendes e Serra negam o telefonema.
"Convivo com o ministro Gilmar Mendes. Pelo que conheço tenho convicção de que nem Serra nem ninguém vai interferir em um voto ou um pronunciamento judicial do ministro", disse Valadares ao Terra, rejeitando a possibilidade de se abrir uma investigação contra o magistrado ou de ele quebrar seu sigilo telefônico para esclarecer os fatos. "Abrir uma investigação porque uma pessoa telefonou para outra é um exagero. É uma coisa natural pedir vista. De jeito nenhum (pode-se falar em um eventual crime de responsabilidade)", afirmou.
O presidente da AMB reconheceu que José Serra e Gilmar Mendes são amigos por terem sido ambos ministros de Estado no governo Fernando Henrique Cardoso, mas disse que nada justifica abrir uma investigação para se apurar uma eventual interferência do tucano no voto do magistrado do STF. "Eles devem ter um relacionamento muito bom. É natural um ministro do STF ter amizades fora do Poder Judiciário. Não sou advogado de Gilmar Mendes, mas pelo conceito que tenho de Gilmar Ferreira Mendes acredito que não aceitaria e não daria oportunidade de qualquer um interferir em suas convicções", salientou.
- Redação Terra




