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 Cureau: "fizeram uma denúncia, isso não é juízo de valor meu"
17 de setembro de 2010 18h06 atualizado às 18h34

A vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau enviou ofício a revista  Carta Capital. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau enviou ofício a revista Carta Capital
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Bob Fernandes

O diretor de redação e proprietário majoritário da revista Carta Capital recebeu, na quinta-feira (16), ofício encaminhado pela vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau. A vice-procuradora, no ofício datado do dia 9 de setembro, cobra de Carta Capital "relação das publicidades do governo federal dos anos 2009/2010, os respectivos contratos, bem como os valores recebidos a esse título". No final da tarde desta sexta-feira (17), conversei com a vice-procuradora Sandra Cureau a respeito do caso.

Abaixo, o teor do diálogo.

Terra - Procuradora, a senhora confirma o envio de um ofício à revista Carta Capital cobrando a relação de publicidade e contratos da revista com o governo federal?
Sandra Cureau - Sim, confirmo.

Terra - Qual é o motivo para isso?
Sandra Cureau - Eu recebi um ofício do procurador regional eleitoral do Distrito Federal, Renato Brill de Góes, ofício esse que havia sido encaminhado a ele, aqui no Distrito Federal, com a denúncia de um cidadão.

Terra - Que cidadão?
Sandra Cureau - Um cidadão que pede sigilo, e isso é comum.

Terra - Que denúncia é essa?
Sandra Cureau - Que a revista Carta Capital apoia o governo Lula e a candidatura de Dilma e para tanto receberia verbas do governo federal.

Terra - E o que a senhora pensa disso?
Sandra Cureau - Eu vou lhe contar qual é o rito jurídico que estou seguindo, e digo que isso não significa nenhum juízo de valor da minha parte.

Terra - Qual é o rito?
Sandra Cureau - Abri um procedimento, como estou obrigada a fazer, e mandei para os que estão sendo acusados para se conhecer a verdade dos fatos.

Terra - Para quem a senhora encaminhou?
Sandra Cureau - Para a Casa Civil da Presidência da República, para o Tribunal de Contas da União e para a Carta Capital.

Terra - Em relação ao governo, o que a senhora deseja apurar?
Sandra Cureau - O que o cidadão denunciou ao procurador Renato Brill de Góes e ele me encaminhou por estar isso afeito à Procuradoria Geral Eleitoral que cuida das eleições presidenciais, que é a na qual estou, eu preciso apurar a verdade dos fatos.

Terra - Sobre o que?
Sandra Cureau - Se foram obedecidos, por parte do governo federal, os princípios da moralidade e impessoalidade.

Terra - Já houve casos semelhantes nesta eleição de 2010? A senhora encaminhou questionamento semelhante a outras editoras no Brasil?
Sandra Cureau - Não me lembro se em relação à mídia haveria outros casos. Me parece, não tenho certeza, que houve em relação a blogs na internet e a um jornal do interior, mas não posso te responder isso com certeza tão rapidamente. E, se alguém denunciar algo semelhante em relação a, por exemplo, às revistas Veja, Época, Istoé, ou qualquer outro meio, estarei na obrigação de mandar apurar da mesma forma. Não tenho a menor dificuldade. Como não tenho como saber se isso é verdadeiro ou não, em relação a qualquer um, antes de terminada a apuração. Repito: isso não significa nenhum juízo de valor da minha parte. Estou seguindo o rito jurídico.

Terra Magazine