Os argumentos de especialistas convergem. O tema é pessoal, de difícil entendimento, sem nenhuma materialização e sem força para alterar o quadro eleitoral.
"Esse escândalo é fraco e não tem impressão digital clara", disse à Reuters Carlos Ranulfo, cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais.
O reflexo nas pesquisas de intenção de voto não se fez sentir. O caso teve início em junho, com um pico há dez dias, quando a filha de Serra também foi envolvida nas denúncias. Levantamentos do Ibope e do Datafolha passaram incólume.
Realizado entre 31 de agosto e 2 de setembro, o Ibope manteve o quadro em que Dilma alcança 51 por cento das intenções de voto e Serra, 27 por cento. O resultado é idêntico ao da sondagem realizada no período anterior, de 24 a 28 de agosto.
No Datafolha, a petista foi de 49 por cento para 50 por cento e o tucano passou de 29 por cento para 28 por cento. No levantamento dos dias 2 e 3 de setembro, as oscilações ficaram dentro da margem de erro.
"Não mudou nada. O assunto é complicado para a maioria do eleitorado e muita gente nem declaração de Imposto de Renda faz", disse Marcia Cavallari, diretora-executiva do Ibope, justificando a falta de compreensão do eleitorado em relação ao vazamento de dados fiscais.
"As pessoas podem achar que faz parte do desespero (dos tucanos)", afirmou Marcia, a 24 dias do primeiro turno.
A executiva acredita que poderá haver algum impacto no eleitor de alta renda e com instrução superior, que pode se sentir desprotegido em relação a seus dados na Receita Federal, mas por enquanto os dois candidatos estão próximos nestes segmentos.
As próximas pesquisas devem atestar o que preveem os analistas. O Ibope, por exemplo, vai produzir três pesquisas eleitorais para presidente antes do primeiro turno. Uma por semana.
O cientista político Alberto Carlos Almeida, autor do livro "A Cabeça do Eleitor", acredita que as denúncias são marginais ao cenário nacional. "Não vai afetar, não vai virar nada."
Em 2006, conta, o escândalo dos aloprados, com visibilidade bem maior, não fez o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva cair nas pesquisas. Alckmin é que subiu, atraindo os votos em branco e de indecisos, analisou. E no final Lula levou.
Para Almeida, a alta aprovação do governo Lula, o entendimento do eleitor de que Dilma vai lhe dar maior capacidade de consumo e o crescimento da economia de 7 por cento este ano vão eleger a candidata do governo. "É isso, o eleitor quer uma sensação de bem-estar."
Carlos Ranulfo lembra que no caso da tentativa de compra de um dossiê em 2006 houve prisões enquanto essa quebra de sigilo atual não aparenta ter sido usada para nada. "Não tem consequência nenhuma." Há quatro anos, dado o espectro do escândalo dos aloprados, a eleição, prevista para terminar no primeiro, foi ao segundo turno.

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