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 RJ: em hospital sobrecarregado, Gabeira critica UPAs
06 de setembro de 2010 13h12 atualizado às 17h05

João Pequeno
Direto do Rio de Janeiro

O candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, voltou a criticar, nesta segunda-feira (6), a gestão de saúde do atual governador e candidato à reeleição, Sérgio Cabral (PMDB), após visitar o oitavo hospital estadual desde o início da campanha. Ele foi ao Azevedo Lima, em Niterói, onde constatou um recorde de pacientes até agora em macas e nos corredores da emergência, "quase 50", muitos por fraturas, que não são tratadas nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), principal investimento do atual Governo no setor.

"O problema nem era com equipamento, mas faltam médicos e enfermeiros para tanta gente", afirmou Gabeira, ressaltando que o hospital ficou sobrecarregado após o fechamento, em maio do ano passado, do Hospital Universitário Antonio Pedro, da UFF (Universidade Federal Fluminense), que também fica em Niterói e fazia atendimento de emergência. "UPA é pronto atendimento, não faz cirurgia de trauma", acrescentou. Por ficar próximo a rodovias, o Azevedo Lima acaba concentrando vítimas de acidentes de trânsito, além de receber pacientes de municípios vizinhos.

Desta vez, o candidato da oposição não "driblou" a equipe da Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Estado, como fizera na semana passada, ao não divulgar a agenda e chegar de surpresa ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na Zona Norte. Mesmo assim, não houve "maquiagem", como ele havia relatado há pouco mais de um mês no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, também Zona Norte, onde funcionários denunciaram ter feito uma arrumação durante a madrugada, reabrindo uma enfermaria que estava fechada há mais de um ano e tirando os pacientes dos corredores.

"Não havia como maquiar, porque eram muitos pacientes, quase 50, no corredor. Vai botar onde?", questionou Gabeira, que afirma ter encontrado pessoas esperando "até três semanas" em macas improvisadas no corredor da emergência. "A maioria era com casos de traumas, por falta de emergência, esperando internação, alguns até três semanas, como um rapaz de 20 e poucos anos, com perna quebrada em três lugares, ainda não sabia se teria que passar por cirurgia ou engessar. Tinha outro que fraturou o maxilar e está sem poder mastigar...", relatou.

Ele ponderou que a reforma da emergência seria necessária, mas insuficiente. "É preciso negociar com o Governo Federal a reabertura do Antonio Pedro", disse, propondo ainda um pedido de parceria "com a indústria do álcool, porque grande dos acidentes decorrem de uso de bebida".

Especial para Terra