- Tatiana Damasceno
- Direto de Brasília
A candidata à presidência pelo PT, Dilma Rousseff, afirmou neste domingo (4) que não é possível encarar com "naturalidade" o vazamento de dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB.
"Não acho que a gente pode conviver com naturalidade com o vazamento de sigilo. Eu tenho cá para mim que é fundamental, por conta que é dado do sigilo fiscal da população brasileira, que a Receita tenha uma rigidez muito grande, primeiro com o fortalecimento dos mecanismos de segurança de banco de dados. Não é possível conviver com vazamentos, então há que investigar e há que punir, caso se detecte algum malfeito", disse em coletiva para a imprensa, em Brasília.
Questionada como agiria caso fosse presidente, Dilma respondeu que investigaria "até o último minuto". "A minha proposta é melhorar o banco de dados e montar um sistema de supervisão bastante rígido", disse. A candidata negou relação dos episódios com a sua candidatura e afirmou que quando os acessos aos dados ocorreram, ela não era candidata à Presidência.
"Em abril de 2009 não existia eleição, nem para mim, nem para o meu adversário, nem para a outra concorrente, a Marina. Nenhum de nós era candidato, era algo bastante longe. Então tem de apurar direitinho o que está acontecendo dentro da Receita. Em setembro eu não era candidata, não era pré-candidata, não tinha pré-candidatura nem candidatura", disse.
O presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que o servidor da Receita Federal de Formiga (MG), Gilberto Souza Amarante, pode responder a processo e até expulsão do partido caso seja comprovado o acesso sem motivação profissional dos dados sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. "Em se comprovando o acesso imotivado, ele será excluído dos quadros do PT".
Dutra negou que o ato tenha relação com a campanha. "Claro que a oposição vai fazer estardalhaço em cima disso', disse, lembrando que o partido pediu direito de resposta no programa do candidato tucano José Serra, que explorou o episódio.
Amarante aparece nos registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral como filiado ativo do PT de Arcos (MG). Ele é listado no procedimento administrativo da Corregedoria da Receita que investiga a violação do sigilo fiscal de Eduardo Jorge.
- Especial para Terra





