- Claudio Leal
- Vagner Magalhães
- Direto de Guarulhos (SP)
O presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, afirmou neste sábado (4), depois do comício de Lula e Aloizio Mercadante em Guarulhos, que o contador Antonio Carlos Atella Ferreira, acusado de quebrar o sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, nunca foi filiado ao partido. De acordo com Edinho, ele entrou com um pedido de filiação em 2003, mas devido a problemas burocráticos, ela nunca foi efetivada.
"Essa filiação foi encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral e ele não participa da vida interna do PT nem é um integrante do Partido dos Trabalhadores porque não existe dentro do PT, no cadastro dos nossos filiados, o nome dele", disse.
Segundo Edinho, quando ele tentou se filiar ao partido, os seus dados estavam incompletos e a ficha não chegou a ser aceita.
"Nós fomos atrás de todos os registros que o Partido dos Trabalhadores têm. Todos os levantamentos dos filiados, que nós fazemos cotidianamente, por contra dos processos internos que o PT vive. Os processos de eleições, dos encontros, dos seminários. Em nenhum momento nós encontramos o registro desse senhor como participando do quadro dos militantes filiados do PT. Posteriormente nós fomos ao levantamento do TRE e lá nós constatamos que, de fato, em 2003, deu entrada no diretório municipal de Mauá o pedido de filiação", disse.
Segundo ele, por divergência no nome de Atella, o TRE não aceitou a filiação. "Por diversas vezes o diretório municipal de Mauá fez contato com esse senhor, para que ele procurasse o diretório municipal, para que esses dados fossem corrigidos. Ele nunca procurou o diretório municipal, consequentemente ele não foi aceito pela Justiça Eleitoral e tampouco foi considerado filiado do PT. Porque ele nunca participou de nenhuma atividade do PT. Para nós essa filiação não foi aceita pelo TRE como também não foi aceita pelo PT".
PT emite nota
O PT divulgou uma nota sobre o episódio. Leia a íntegra:
"Diante das notícias veiculadas por órgãos de imprensa acerca da filiação do Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA ao Partido dos Trabalhadores (Diretório de Mauá - São Paulo), o DIRETÓRIO ESTADUAL DE SÃO PAULO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES vem de público esclarecer que:
1. Foi apresentada ao Diretório Municipal do PT de Mauá, em outubro de 2003, proposta de filiação do Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA;
2. Ocorre, porém, que ao ser escrita ou digitada a solicitação de filiação, o seu nome foi grafado de forma incorreta, encaminhando-se, em decorrência disso, aos órgãos competentes da Justiça Eleitoral, o pedido de registro de filiação em nome de ANTÕNIO CARLOS "ATELKA" FERREIRA;
3. Em decorrência de não existir compatibilidade entre o nome constante do pedido de registro de filiação e os documentos eleitorais firmados em nome de ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA, a Justiça Eleitoral deixou de efetivar o registro da filiação;
4. Desde então, o Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA nunca procurou os Dirigentes do Diretório de Mauá para corrigir a situação da sua filiação junto a Justiça Eleitoral. Da mesma forma, ele nunca participou de qualquer órgão de direção partidária, nem de qualquer evento, seminário, reunião ou atividade promovida pelo Diretório, não tendo nunca cumprido quaisquer obrigações estatutárias estabelecidas para os nossos filiados, nem mesmo sequer comparecido para votar em quaisquer dos nossos processos eleitorais internos;
5. Assim, o Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA, por não ter tomado qualquer iniciativa para regularizar o registro da sua filiação, acabou por ter o seu nome excluído, pela Justiça Eleitoral, do quadro de filiados do Partido dos Trabalhadores, não tendo ainda em momento algum, ao logo de todos estes anos, participado minimamente da nossa vida partidária. Desse modo, tanto perante a Justiça eleitoral como para o Partido dos Trabalhadores, ele não é considerado como integrante do nosso quadro de filiados.
São Paulo, 3 de 0utubro de 2010
EDINHO SILVA
Presidente Estadual do PT-SP"
Entenda o caso
O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso de dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável tucano. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.
Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita , no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.
Nesta quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.
- Redação Terra











