Marina Silva chega ao Acre na companhia do marido Fábio Vaz de Lima
Foto: Altino Machado/Terra Magazine
- Altino Machado
- Direto de Rio Branco
Ao desembarcar às 4h da madrugada deste sábado (4), no aeroporto Plácido de Castro, em Rio Branco (AC), onde nasceu, a candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, acusou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de omissão em relação aos casos de quebra de sigilo na Receita Federal.
"Guido Mantega devia ter tido atitude desde o início. Devia ter dado uma explicação à sociedade. Devia ter se colocado na linha de frente para dar uma demonstração concreta de que não há nenhum tipo de complacência com a quebra de sigilo fiscal no País. Ele não tinha e não tem o direito de se omitir. Após ter se omitido, o ministro ainda vem dizer que o Secretário da Receita Federal continua no cargo, que está tudo bem, e que é assim mesmo. Não, não pode ser assim mesmo", afirmou.
Desde que teve sua candidatura oficializada, é a primeira vez que Marina Silva visita o Acre. Ela participaria de um café da manhã no Parque Capitão Ciríaco, mas por se tratar de espaço público municipal, sua assessoria foi aconselhada pela Justiça Eleitoral a mudar de local. Pela primeira vez, a candidata será vista com todos os membros de família que vivem no Acre.
Ela terá "encontro pessoal" com o pastor Luiz Gonzaga, da Assembleia de Deus, visitará duas Casa de Marina e seguirá em campanha até Cruzeiro do Sul, no extremo-oeste brasileiro. No domingo (5), Dia da Amazônia, às 20h, em Rio Branco, a candidata do PV participará do lançamento do livro biográfico "Marina - A vida por uma causa", de autoria de Marília de Camargo Cesar.
O governador do Acre, Binho Marques (PT), confirmou presença. O senador Tião Viana (PT), candidato ao governo, e os candidatos ao Senado Jorge Viana (PT) e Edvaldo Magalhães (PC do B) também devem participar do lançamento do livro.
Pouco mais de dez pessoas, entre amigos e familiares, compareceram ao aeroporto para recepcionar Marina Silva, que concedeu entrevista exclusiva ao Terra.
Terra - Como avalia as declarações de membros do governo nas últimas horas em relação à quebra de sigilo no âmbito da Receita?
Marina Silva - É um episódio lamentável e o ministro Guido Mantega deu uma declaração ainda mais lamentável ao afirmar que a quebra de sigilo é rotina na Receita Federal. É muito lamentável o que ele fez.
Terra - Por quê?
Marina Silva - Eu não sabia que isso era rotina. O pior é a revelação de que 140 pessoas já tiveram o sigilo fiscal quebrado e outros tantos milhões de brasileiros não sabem o que está acontecendo em relação aos seus dados fiscais. Ouvir da boca do ministro da Fazenda que a quebra de sigilo fiscal é rotina ou corriqueiro no País, demonstra uma situação de completo descontrole e desrespeito aos cidadãos e cidadãs. A Receita Federal é um dos espaços em que o cidadão acha que está sendo olhado sem que ele veja. Agora ele descobriu que está sendo olhado, sem que veja, não por quem deveria olhá-lo de forma legal e institucional, mas de modo completamente ilegal e sabe-se lá com que finalidade.
Terra - O que o ministro da Fazenda devia ter feito?
Marina Silva - Guido Mantega devia ter tido atitude desde o início. Devia ter dado uma explicação à sociedade. Devia ter se colocando na linha de frente para dar uma demonstração concreta de que não há nenhum tipo de complacência do com a quebra de sigilo fiscal no país. Ele não tinha e não tem o direito de se omitir. Após ter se omitido, o ministro ainda vem dizer que o Secretário da Receita Federal continua no cargo, que está tudo bem, e que é assim mesmo. Não, não pode ser assim mesmo.
Terra - Qual a sensação de voltar ao Acre pela primeira vez como candidata?
Marina Silva - Pela primeira vez oficialmente como candidata, bem entendido. Isso me dá a sensação de voltar para as minhas raízes, de me alimentar do carinho, do respeito, do afeto dos amigos e da família, de todos aqueles que acompanham quase 30 anos de trabalho.
Terra - Qual a sua expectativa em relação ao seu desempenho eleitoral no Acre?
Marina Silva - O Acre já me deu tanta coisa. Estou aqui, neste lugar, como candidata à presidência da República. Eu devo isso a Deus e ao povo acreano. Eu já tenho um sentimento de gratidão que vai me acompanhar pelo resto da vida. A continuidade desse processo será no dia 3 de outubro. A minha expectativa será sempre tranquila porque tudo o que sou devo ao Acre.
Terra - No Acre, a senhora não tem sido correspondida na fidelidade que demonstra aos seus antigos companheiros da coligação Frente Popular do Acre. Manifesta apoio às candidaturas de Tião Viana ao governo e Jorge Viana e Edvaldo Magalhães ao Senado, mas eles não retribuem esse apoio. Isso lhe causa contrariedade?
Marina Silva - Não. Contrariedade me causaria se eu não estivesse a apoiá-los. Estou fazendo a minha parte, dando continuidade àquilo que eu acredito e que sempre fiz. Sendo assim, estou sendo coerente.




