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 No Acre, Marina acusa Mantega de omissão no caso da Receita
04 de setembro de 2010 10h13 atualizado às 10h50

Marina Silva chega ao Acre na companhia do marido Fábio Vaz de Lima. Foto: Altino Machado/Terra Magazine

Marina Silva chega ao Acre na companhia do marido Fábio Vaz de Lima
Foto: Altino Machado/Terra Magazine

Altino Machado
Direto de Rio Branco

Ao desembarcar às 4h da madrugada deste sábado (4), no aeroporto Plácido de Castro, em Rio Branco (AC), onde nasceu, a candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, acusou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de omissão em relação aos casos de quebra de sigilo na Receita Federal.

"Guido Mantega devia ter tido atitude desde o início. Devia ter dado uma explicação à sociedade. Devia ter se colocado na linha de frente para dar uma demonstração concreta de que não há nenhum tipo de complacência com a quebra de sigilo fiscal no País. Ele não tinha e não tem o direito de se omitir. Após ter se omitido, o ministro ainda vem dizer que o Secretário da Receita Federal continua no cargo, que está tudo bem, e que é assim mesmo. Não, não pode ser assim mesmo", afirmou.

Desde que teve sua candidatura oficializada, é a primeira vez que Marina Silva visita o Acre. Ela participaria de um café da manhã no Parque Capitão Ciríaco, mas por se tratar de espaço público municipal, sua assessoria foi aconselhada pela Justiça Eleitoral a mudar de local. Pela primeira vez, a candidata será vista com todos os membros de família que vivem no Acre.

Ela terá "encontro pessoal" com o pastor Luiz Gonzaga, da Assembleia de Deus, visitará duas Casa de Marina e seguirá em campanha até Cruzeiro do Sul, no extremo-oeste brasileiro. No domingo (5), Dia da Amazônia, às 20h, em Rio Branco, a candidata do PV participará do lançamento do livro biográfico "Marina - A vida por uma causa", de autoria de Marília de Camargo Cesar.

O governador do Acre, Binho Marques (PT), confirmou presença. O senador Tião Viana (PT), candidato ao governo, e os candidatos ao Senado Jorge Viana (PT) e Edvaldo Magalhães (PC do B) também devem participar do lançamento do livro.

Pouco mais de dez pessoas, entre amigos e familiares, compareceram ao aeroporto para recepcionar Marina Silva, que concedeu entrevista exclusiva ao Terra.

Terra - Como avalia as declarações de membros do governo nas últimas horas em relação à quebra de sigilo no âmbito da Receita?
Marina Silva - É um episódio lamentável e o ministro Guido Mantega deu uma declaração ainda mais lamentável ao afirmar que a quebra de sigilo é rotina na Receita Federal. É muito lamentável o que ele fez.

Terra - Por quê?
Marina Silva - Eu não sabia que isso era rotina. O pior é a revelação de que 140 pessoas já tiveram o sigilo fiscal quebrado e outros tantos milhões de brasileiros não sabem o que está acontecendo em relação aos seus dados fiscais. Ouvir da boca do ministro da Fazenda que a quebra de sigilo fiscal é rotina ou corriqueiro no País, demonstra uma situação de completo descontrole e desrespeito aos cidadãos e cidadãs. A Receita Federal é um dos espaços em que o cidadão acha que está sendo olhado sem que ele veja. Agora ele descobriu que está sendo olhado, sem que veja, não por quem deveria olhá-lo de forma legal e institucional, mas de modo completamente ilegal e sabe-se lá com que finalidade.

Terra - O que o ministro da Fazenda devia ter feito?
Marina Silva - Guido Mantega devia ter tido atitude desde o início. Devia ter dado uma explicação à sociedade. Devia ter se colocando na linha de frente para dar uma demonstração concreta de que não há nenhum tipo de complacência do com a quebra de sigilo fiscal no país. Ele não tinha e não tem o direito de se omitir. Após ter se omitido, o ministro ainda vem dizer que o Secretário da Receita Federal continua no cargo, que está tudo bem, e que é assim mesmo. Não, não pode ser assim mesmo.

Terra - Qual a sensação de voltar ao Acre pela primeira vez como candidata?
Marina Silva - Pela primeira vez oficialmente como candidata, bem entendido. Isso me dá a sensação de voltar para as minhas raízes, de me alimentar do carinho, do respeito, do afeto dos amigos e da família, de todos aqueles que acompanham quase 30 anos de trabalho.

Terra - Qual a sua expectativa em relação ao seu desempenho eleitoral no Acre?
Marina Silva - O Acre já me deu tanta coisa. Estou aqui, neste lugar, como candidata à presidência da República. Eu devo isso a Deus e ao povo acreano. Eu já tenho um sentimento de gratidão que vai me acompanhar pelo resto da vida. A continuidade desse processo será no dia 3 de outubro. A minha expectativa será sempre tranquila porque tudo o que sou devo ao Acre.

Terra - No Acre, a senhora não tem sido correspondida na fidelidade que demonstra aos seus antigos companheiros da coligação Frente Popular do Acre. Manifesta apoio às candidaturas de Tião Viana ao governo e Jorge Viana e Edvaldo Magalhães ao Senado, mas eles não retribuem esse apoio. Isso lhe causa contrariedade?
Marina Silva - Não. Contrariedade me causaria se eu não estivesse a apoiá-los. Estou fazendo a minha parte, dando continuidade àquilo que eu acredito e que sempre fiz. Sendo assim, estou sendo coerente.

Terra Magazine