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 Líder tucano: foi operação criminosa para a campanha de Dilma
04 de setembro de 2010 06h17

Marcela Rocha
Direto de São Paulo

O deputado federal Juthay Magalhães (PSDB-BA), um dos principais articuladores do partido, afirmou ao Terra que "está cada vez mais claro" que a violação do sigilo de Verônica Serra, filha do presidenciável José Serra, foi "uma operação criminosa para a campanha de Dilma".

A afirmação foi em referência à informação do TRE de São Paulo de que o contador Antonio Carlos Atella Ferreira, que usou uma procuração falsa para pedir acesso às declarações do Imposto de Renda de Verônica, foi filiado ao PT. "Com gente comprovadamente do PT isso significa o uso da estrutura do governo", afirmou o tucano.

O deputado disse ainda que a tentativa do PT é "destruir e desmoralizar" a imagem da Receita Federal para acobertar e passar a ideia de que quebra de sigilo são fatos corriqueiros. "Esta é mais uma demonstração do desapreço às normas democráticas e republicanas".

O tucano afirmou também que a procuração não foi feita para quebrar o sigilo, mas para acobertar quem quebrou. "Porque se fosse para quebrar o sigilo, a procuração seria feita com o cuidado devido. Foi uma garantia para quem quebrou o sigilo", argumentou.

Para Juthay, o fato do suposto contador, Atella Ferreira, ter dito que votava em Serra, "é típico de alguém que queria eximir o seu partido de responsabilidade".

Entenda o caso
O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso de dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável tucano. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.

Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita , no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.

Nesta quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.

Terra Magazine