O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (3) que o candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, se queixou de divulgação de informações sobre seus familiares na Internet.
"O nosso adversário deveria procurar outro argumento... Ele se queixou do que estava acontecendo com ele na Internet. Como eu sou vítima disso há muito tempo. Eu sempre achei que a Internet livre tem coisa extraordinariamente séria e tem coisa que é leviana. Até agora, não tem nada de mais que a Internet publicou sobre a filha do Serra", disse Lula a jornalistas em Esteio (RS), onde visitou uma feira agrícola.
Notícias veiculadas pela imprensa nesta sexta-feira informam que, em janeiro, Serra conversou com Lula e mostrou cópias de artigos publicados em blogs com dados que poderiam significar quebra de sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra.
"(A Internet) tem insinuações como tem contra o presidente Lula, a família do presidente Lula... Isso é uma democracia e nós temos de aprender a respeitar. Querer que eu censure a Internet, não é meu papel e não vou censurar", complementou Lula.
O presidente aproveitou o assunto para alfinetar o tucano. "Eu acho que o Serra precisa saber uma coisa: uma eleição a gente ganha convencendo os eleitores a votar na gente. Não é questão de convencer a Justiça Eleitoral a impugnar a adversária", afirmou.
Na véspera, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) arquivou o pedido do PSDB para impugnar a candidatura da petista Dilma Rousseff. O partido credita ao PT e a Dilma a violação das informações.
"O presidente da República tem coisa mais séria pra cuidar em vez de estudar as dores de cotovelo do Serra", disse ao encerrar a entrevista.
Desde junho, a imprensa vem noticiando denúncias de quebra de dados sigilosos da Receita Federal. Até agora, foram cinco pessoas ligadas a Serra.
Entenda o caso
O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso aos dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável tucano. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.
Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita, no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.
Na última quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.

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