O debate, realizado em cinco blocos, se desenvolveu em clima de civilidade na OAB
Foto: Alex Cavalcanti/Especial para Terra
- Alex Cavalcanti
- Direto de Vitória
O debate promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo, na noite desta quinta-feira (2), foi marcado pelo esforço dos candidatos de oposição para desconstruir a imagem do candidato Renato Casagrande (PSB), que aparece como líder das pesquisas de opinião. Enquanto a candidata do PSOL, Brice Bragato, não mediu palavras para apontar falhas na política do atual governador e aliado de Casagrande, Paulo Hartung (PMDB), o candidato do PSDB, Luiz Paulo Vellozo Lucas, optou por se apresentar como executivo mais preparado para dar continuidade ao trabalho do atual governador.
O debate, realizado em cinco blocos, se desenvolveu em clima de civilidade e nenhum pedido de direito de resposta foi realizado, apesar das críticas contundentes de Brice Bragato, que chegou a se referir ao governador Paulo Hartung como "Imperador". Para Brice, os dois adversários, em especial Casagrande, representam a continuidade de uma política que privilegia "os projetos das grandes multinacionais poluidoras", em detrimento das políticas sociais. "As empresas expulsas da Europa pelos movimentos ambientalistas vieram se instalar aqui e tiveram altos lucros. O governo fez concessões. Há grande renúncia fiscal em troca de investimentos, mas elas não investem nada. Esses recursos deveriam ser usados em políticas sociais", defende a candidata.
Já para o tucano Luiz Paulo, a política fiscal e econômica do atual governador é correta, e ele seria o gestor mais preparado. "Quem acha que Paulo Hartung chega ao final com o dever de casa cumprido, tem duas opções. E vai ter que avaliar, sem visão plebiscitária, quais são os desafios do próximo governo. E eles são manter o equilíbrio fiscal, a governabilidade sem loteamento, o profissionalismo na gestão. Tudo que o PT não fez por onde passou", disparou Luiz Paulo. O PT é um dos partidos que compõem a aliança em torno da candidatura de Casagrande.
Renato Casagrande demonstrou equilíbrio e não rebateu as críticas, preferindo reforçar a imagem de sucessor natural do projeto de Hartung e "líder de uma aliança capaz de enfrentar os futuros desafios". "O povo capixaba reconhece o que foi feito nos últimos anos. O estado estava desorganizado e precisava de união para reconstruir tudo. O que desejo é manter essa casa arrumada, o equilíbrio fiscal, profissionalizar ainda mais a gestão e radicalizar no dialogo com a sociedade. Com essa aliança que coordeno hoje, eu quero enfrentar estes desafios que foram colocados e debatidos aqui. Olhar para trás e ver o quanto foi construído, mas também olhar para a frente e ver o quanto ainda há para construir", defendeu Casagrande.
O debate entre os candidatos ao Palácio Anchieta também refletiu a disputa majoritária para o Planalto. Casagrande, que conta com o apoio de Lula e da candidata Dilma Rousseff (PT), se esforçou para demonstrar que seu alinhamento com o governo federal, em um eventual governo de Dilma, será bom para o Espírito Santo. Ao responder uma pergunta sobre a necessidade de qualificação da mão de obra local, ele afirmou que "trouxemos 12 novas unidades do IFES (Instituto Tecnológico Federal do Espírito Santo). Alem da continuidade de buscar mais unidades do governo federal, vamos ter no nosso governo pelo menos uma escola de ensino médio integrado com educação profissional em cada município".
Já Luiz Paulo, aliado de José Serra (PSDB), aproveitou quase todas as oportunidades que teve para criticar o governo federal e o PT. "Estamos em momento de mitificação do presidente, que amesquinha as eleições desse ano. Todas as tiranias começam com mitificação do lider e transformação das eleições em plebiscito. Isso coloca uma interrogação sobre o futuro dos próximos governadores", afirmou Luiz Paulo.
Durante as considerações finais, os candidatos também adotaram estratégias diferentes. Brice Bragato defendeu a "reconstrução do estado democrático de direito no Espírito Santo", que, segundo ela, "foi burlado por iniciativas de poder autoritário". A candidata finalizou pedindo doações para a campanha, uma postura que já se tornou recorrente. "É melhor chegar ao governo com a contribuição de R$ 100 de um colega advogado, que com a contribuição de um milhão da Vale, como fizeram Paulo Hartung e outros aqui", finalizou Brice.
Já Casagrande tentou reforçar, ainda mais, a idéia de que tem o projeto mais completo e a aliança mais forte para promover o desenvolvimento do Estado. "Vamos levar esse estado a ser uma referência nacional, com diálogo com a sociedade e transparência na relação com os outros poderes", afirmou Casagrande.
O último a se pronunciar foi Luiz Paulo, que aproveitou o tempo para reforçar os pontos principais de seu programa. "Temos que melhorar a segurança pública, depois a infra-estrutura econômica. As estradas capixabas matam tanto quanto os homicídios. Também vou criar uma agência para tirar a região metropolitana do papel e urbanizar as pequenas cidades do interior", prometeu Luiz Paulo.
- Especial para Terra




