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 Caso Verônica: contador indica suposto comprador de sigilo
02 de setembro de 2010 20h24 atualizado às 21h44

Antonio Carlos Atella Ferreira, o portador da procuração falsa que teria gerado o acesso ao sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à presidência, confirmou a participação de pelo menos mais uma pessoa na falsificação. De acordo com informações do Jornal Nacional desta quinta-feira (2), o homem que seria um dos contratantes do serviço responderia pelo nome de Ademir Estevam Cabral.

"Se fosse eu você acha que eu teria assinado e retirado? Se fosse eu você acha que eu teria retirado?", respondeu Atella, ao ser indagado se teria falsificado a assinatura da filha de Serra.

Perguntado sobre quem seriam os compradores do sigilo da filha do candidato tucano, o contador disse que "contadores, advogados e contadores que têm escritórios maiores". Segundo o contador, as solicitações de declarações seguiam para o Brasil inteiro. "De Minas, de Brasília, do interior de São Paulo, de vários lugares", disse.

O portador da procuração reafirmou que recebeu um pedido e retirou as informações da filha de José Serra seguindo ordens de terceiros. Segundo Atella, o pedido em nome de Verônica fazia parte de um lote e que ele não sabia de quem ela é filha.

Ademir, o homem citado pelo contador que assina a procuração, não foi falou com o telejornal. Uma assessora contábil que trabalha com Ademir confirma a ligação dele com Atella, mas duvida que ele seja o autor da falsificação.

"O Ademir não sabe nem escrever direito, como ele vai falsificar alguma coisa? O Ademir é um tipo de um boy. Ele pega os documentos dos advogados e vai protolocar", afirmou a assessora que trabalha com Ademir.

Entenda o caso
O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso de dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável tucano. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.

Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita , no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.

Nesta quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.

Redação Terra