A presidenciável Marina Silva (PV) voltou a dizer nesta quinta-feira (2), em entrevista ao SBT Brasil, que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve responder pelas supostas violações de sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato à presidência pelo PSDB, José Serra. Segundo Marina, o ministro se omitiu e é preciso valorizar a Receita Federal, que é uma carreira de Estado.
"Ter seu sigilo fiscal violado, quer por interesse político, quer por uma quadrilha que atua dentro do Ministério da Fazenda através da Receita para achacar as pessoas, é muito grave. A carreira da Receita Federal é de Estado e feita para proteger o cidadão, mas o que nós vemos é uma situação de descontrole e o silêncio do ministro já é uma omissão e um desrespeito com a sociedade", criticou.
Para a presidenciável, o PSDB deve exigir investigação e punição aos culpados já que, segundo ela, mais de 100 pessoas tiveram os sigilos fiscais violados. Marina afirmou que a comparação feita por Serra entre a quebra de sigilo de sua filha e a utilização política de Fernando Collor de uma filha fora do casamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha presidencial de 1989 é "inevitável", já que o tucano pretende explorar o fato politicamente. De acordo com ela, mesmo em uma eleição não se pode cair no "vale tudo".
"Não vou fazer acusação a ninguém sem provas", disse a candidata verde. "Vamos esperar que as investigações sejam rápidas e transparentes e que provem quem são os culpados e que eles são punidos", afirmou Marina.
Mais cedo, em entrevista à rádio Jovem Pan, Marina anunciou o início de uma campanha que tem como objetivo disseminar a hashtag #MantegaChegaDeOmissão no Twitter (hashtag é uma etiqueta usada para facilitar a busca de assuntos tuitados, que pode chegar ao "trending topic" se for muito repetida).
O objetivo, segundo a candidata do PV, é incentivar a cobrança dos eleitores para que o ministro da Fazenda se explique a respeito da quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato à presidência pelo PSDB, José Serra.
Entenda o caso
O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso de dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável tucano. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.
Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita , no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.
Nesta quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.
- Redação Terra






















