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 Dilma diz que tucanos tentam "virar a mesa da democracia"
02 de setembro de 2010 15h38 atualizado em 03 de setembro de 2010 às 11h04

Dilma: 'PSDB quer ganhar no tapetão'

Flavia Bemfica
Direto de Porto Alegre

A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, fez uma manifestação veemente contra o adversário nas eleições José Serra (PSDB) na tarde desta quinta-feira (2), em Porto Alegre. "A campanha do meu adversário e o partido dele estão desesperados, porque a cada dia que passa, perdem o apoio do povo brasileiro. Agora, acho que estão querendo ganhar no tapetão, mas isto não vai acontecer".

Dilma disse que as acusações que vinculam sua campanha aos casos de violação de sigilo fiscal são "falsas, levianas e sem sustentação jurídica". Segundo ela, atribuir à sua campanha fatos ocorridos em setembro de 2009 é uma tentativa "de virar a mesa da democracia".

A candidata informou que o PT está ingressando com ação judicial contra os adversários com base no artigo 323 do Código Eleitoral, por crime contra a honra, e com uma representação junto à Procuradoria Geral da República contra o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, também por crime contra a honra.

A coletiva de imprensa concedida pela candidata teve como principal objetivo rebater as acusações de que sua campanha pode estar associada aos casos de violação de sigilo fiscal. Antes de responder as perguntas, Dilma quis fazer uma manifestação aos jornalistas, na qual falou sobre o assunto e devolveu parte das acusações. Ela assegurou ser a parte mais interessada na apuração das denúncias.

"Em um processo democrático se pode até perder a eleição, mas não a dignidade. Não se pode sacar contra pessoas em instituições. Ao que eu saiba, em setembro de 2009, não havia nem campanha e nem pré-campanha. Havia outro tipo de disputa que não tem a ver com esta campanha (a sua)", afirmou.

Questionada sobre a que tipo de disputa se referia, Dilma respondeu que não avançaria sobre este tema, mas que a disputa em questão foi fartamente noticiada pelos jornais na época. Em setembro do ano passado, um dos temas do noticiário político era a disputa interna no PSDB para decidir se o candidato do partido à presidência deveria ser José Serra ou Aécio Neves.

Oficialmente, Dilma passou a manhã desta quinta-feira no Rio Grande do Sul para gravar programas de TV e à tarde, segue para o Paraná.

Entenda o caso
O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso de dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável tucano. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.

Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita , no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.

Nesta quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.

Especial para Terra