- Marcela Rocha
- Direto de São Paulo
A respeito das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a confiabilidade da Receita Federal, o candidato do PSDB à presidência José Serra concordou ao afirmar que o órgão é um instituição do Estado e não de governo, mas disse que o problema não é a Receita, e sim a ação do PT junto a ela. "O PT desprestigia a ação da Receita no Brasil. A Receita está sendo prejudicada pela ação dos arapongas do PT", disse o candidato, após encontro com o presidente da Colômbia Juan Manuel Santos, em São Paulo.
Para o tucano, que é critico contumaz do que chama de loteamento de cargo no governo, "onde o PT chega procura aparelhar". Ele anunciou que providências criminais serão tomada por se tratar de um crime contra a Constituição e tendo em vista que o sigilo fiscal é garantido por ela. Questionado se as providências criminais seriam contra sua principal adversária, Dilma Rousseff (PT), Serra não respondeu.
Dilma cobrou que o tucano apresentasse provas das acusações ligando o PT à quebra de sigilo. Em resposta, Serra afirmou: "é brincadeira. Se alguém tem de provar o contrário é ela".
"Ela negou que houve quebra depois negou que tivesse conhecimento... Tem impressões digitais e visuais de que foi para o proveito da campanha dela. Ela é responsável, porque é responsavel pela campanha", disse o tucano.
Serra e seu partido acreditam existir uma "operação abafa" dentro da Receita e uma tentativa de "ocultar" e "blindar" a candidata Dilma.
O presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra, pediu, na noite da última quarta-feira (1), o afastamento do secretário da Receita Otacílio Cartaxo. Segundo o tucano, o secretário mentiu e o órgão estava sendo conduzido partidariamente. "Cartaxo tem que ir embora. O secretário da Receita Federal não pode mentir, disfarçar nem se prestar a esse jogo", disse o senador.
Entenda o caso
O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso de dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável tucano. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.
Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita , no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.
Nesta quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.





