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 EJ: Receita tenta abafar investigação sobre sigilo de Verônica
02 de setembro de 2010 14h05

Laryssa Borges
Direto de Brasília

O vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge, voltou a atacar nesta quinta-feira (2) a Receita Federal, contra quem pairam suspeitas de que ela já tinha conhecimento de uma possível fraude em uma procuração de Verônica Serra, filha do candidato tucano José Serra (PSDB). "É claro que existe uma operação abafa", resumiu o dirigente tucano, que informou que sabia desde o início mês de abril que Verônica era alvo de um dossiê.

Há uma suspeita de que a Receita esteja tentando atrasar as investigações, uma vez que o discurso oficial do Fisco era de que não havia irregularidade, embora o governo já soubesse que a procuração usada para violar os dados de Verônica Serra poderia ser falsa.

"O fato de que sabiam tudo e estão passando informações a conta gotas mostra que é isso. A representação no TSE impetrada nesta quarta-feira (1) pelo PSDB deixa muito claro o uso eleitoral da máquina administrativa", afirmou EJ na sede do partido, em Brasília. Entre fontes tucanas, a tese é a de que altos dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) agiam em um grupo de inteligência contra o qual não foram postos limites.

"A capacidade da burocracia de empurrar com a barriga quando se quer é muito grande. Mas o Brasil não termina em 3 de outubro", resumiu um representante do partido.

Ainda que a situação tenha se agravado com a confirmação de quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra, Eduardo Jorge diz, por exemplo, que uma eventual demissão do secretário-geral da Receita, Otacílio Cartaxo, não resolveria o problema ou aceleraria a solução do processo.

"Estão tentando empurrar com a barriga, jogar para adiante a investigação. Não tenho dúvidas de que autoridades da Receita Federal já sabiam sobre a violação do sigilo de Verônica antes da entrevista dada na sexta-feira quando o corregedor-geral disse haver um 'balcão de troca de informações' sigilosas, porque os autos demonstram que na manhã de 30 de agosto a funcionária responsável já estava notificada como acusada. Logo antes da manhã de segunda o governo sabia", criticou EJ.

"Quem sou eu para dizer se ele deve ser demitido ou não? Ele sabe a responsabilidade dele e o governo também. A saída dele não resolveria o problema. No início, a saída poderia ser uma resposta à sociedade. Agora isso não é suficiente", completou o vice-presidente do PSDB.

Assim como Eduardo Jorge, tucanos rebatem a tese de que haja um "fogo amigo" dentro do PSDB, que seria o núcleo responsável ou partícipe na quebra dos sigilos. Representantes do partido avaliam que, no cenário atual, onde a ex-ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparece nas pesquisas como eleita em primeiro turno, talvez não houvesse interesse em promover as violações de informações, mas considerando um cenário diferente - o de setembro do ano passado, período em que o sigilo de Verônica Serra teria sido quebrado - haveria interesse petista em acessar os dados de pessoas ligadas a Serra.

Entenda o caso
O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso de dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável tucano. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.

Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita , no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.

Nesta quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.

Redação Terra