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 Sérgio Guerra pede afastamento de secretário da Receita
01 de setembro de 2010 19h32 atualizado às 20h32

Marcela Rocha
Direto de São Paulo

O presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra, pediu, na noite desta quarta-feira (1), o afastamento do secretário da Receita Otacílio Cartaxo. Segundo o tucano, o secretário mentiu e o órgão estava sendo conduzido partidariamente. "Cartaxo tem que ir embora. O secretário da Receita Federal não pode mentir, disfarçar nem se prestar a esse jogo", disse o senador.

"Tem aloprados espalhados em todo lugar. Estão até na Receita", continuou Guerra.

Para o presidente do partido, se fosse para o bem do órgão federal, o secretário deveria abrir as investigações. "A Receita Federal não é para fazer condução partidária. (...) ele não está defendendo a Receita, está cumprindo tarefas lá, porque se fosse para o bem do órgão, abriria as investigações"

Segundo Sérgio Guerra, o secretário da Receita perdeu legitimidade para continuar no cargo. "O secretário (Otácilio Cartaxo) e o corregedor (Antonio Carlos Costa D'Ávila) fizeram declarações inconsistentes que são alteradas a cada dois ou três dias".

Questionado sobre a existência de algum tipo de prova concreta relacionando a quebra do sigilo à campanha da Dilma, Guerra apontou evidências e insinuou a participação do candidato ao Senado de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT) em um esquema, segundo ele, elaborado pelos petistas para a confeccção de dossiê. "Aparelhar a Receita vai além dos limites aceitáveis em qualquer circunstância. Quem teria interesse em um processo como esse, de quebrar sigilo de pessoas e políticas ligadas ao PSDB? Quem tem estrutura, poder, capacidade para montar aparelhos de dossiês é o Partido dos Trabalhadores", acusou, mencionando em seguida o dossiê dos aloprados.

De acordo com o tucano, querem evitar tornanr público que esse é um processo "vil, criminoso, comprometedor, e de forças políticas que se opõem a nós, reunidas em torno da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff". "A candidatura Dilma não pode fingir que não tem nada a ver com isso". Entenda o caso
O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso de dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável tucano. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.

Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita , no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.

Nesta quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.

Terra Magazine