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 Marina pede 2º turno e diz que tentam "infantilizar o Brasil"
30 de agosto de 2010 23h49 atualizado em 31 de agosto de 2010 às 00h16

João Pequeno
Direto do RIo de Janeiro

A candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, fez um apelo na noite desta segunda-feira (30) para que os eleitores levem as eleições para o segundo turno e afirmou que o Brasil está politicamente infantilizado pelo governo Lula e pela atual campanha, em encontro com artistas e intelectuais no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro.

"Tem gente que está entregando o jogo no primeiro tempo e tem gente que acha que já ganhou (...) mas uma desistência é uma negação da existência (...) não podemos desistir de um Brasil que precisa afirmar sua democracia", afirmou se referindo aos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), líder nas pesquisas de intenções de voto, e José Serra (PSDB). A verde prosseguiu: "escolher um candidato não é atender um pedido. Estão tentando infantilizar o Brasil. A história de pai, de avó, (...) mesmo o pai sabe que fracassou quando seu filho não se torna adulto".

Marina Silva tocou na questão feminina para afirmar que é melhor para o Brasil ter um segundo turno. "Querem ver uma mulher (presidente) então vamos para o segundo turno com tempos iguais, porque o destino do Brasil deve passar por conhecer os candidatos (...) pelo bem da democracia e pelo bem do eleito", afirmou, destacando que ser "eleito duas vezes daria mais legitimidade".

A presidenciável também deu uma alfinetada no presidente Lula sem citá-lo. Marina defendeu mecanismos de controle e instituições como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público. "Isto serve para que as pessoas saibam (como o governo e o Estado estão agindo)", justificou. O presidente Lula já insinuou que o TCU seria o culpado por atrasar obras.

A candidata do PV também ironizou a campanha por continuidade no horário eleitoral. "Estão tentando continuar a novela das oito no horário eleitoral, mostrando tudo cor de rosa, mas agente tem que mostrar as cores do Brasil como eles estão, todas, e algumas estão meio desbotadas, como a da segurança a da infraestrutura, a da educação e cuidados com o meio ambiente".

Para a área da cultura, Marina - que se reuniu com os atores Marcos Palmeiras, Marcos Winter e Letícia Sabatela, o cantor Gilberto Gil, o dramaturgo Domingos de Oliveira e o filósofo Leonardo Boff, entre outros - afirmou que pretende aumentar o orçamento. Ela pretende colocar em prática o projeto do Fundo Nacional de Cultura. "O Gil (também ex-ministro da cultura) já melhorou o orçamento em sua gestão, mas ainda é pouco (...) atualmente se arrecada cerca de R$ 1 bilhão pela Lei Rouanet. Acho que podemos levantar mais o mesmo valor com o Fundo Nacional de Cultura".

Questionada de onde tiraria dinheiro para aumentar o orçamento da Cultura, Marina afirmou que isso é questão de priorizar os gastos públicos. "Como se conseguiram R$ 80 milhões para empréstimo do BNDS sem transparência nenhuma. É uma questão de priorizar o que é mais importante", provocou.

Sobre a proposta que Gil encampou no Ministério para flexibilizar os direitos autorais - reduzindo o poder dos autores sobre suas próprias obras -, Marina disse que deve haver "um novo marco regulatório, mas mantendo o direito dos compositores". E completou: "temos que pensar em formas de garantir o acesso à cultura. Hoje, com a internet, há mais formas, segundo as quais até o próprio autor pode regular suas obras, por quanto cada um quer e pode pagar".

Especial para Terra