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 Receita vai processar servidoras por quebra de sigilo de tucanos
27 de agosto de 2010 12h51 atualizado às 13h57

Laryssa Borges
Direto de Brasília

O corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos D'Ávila, afirmou nesta sexta feira (27) haver indícios de que as servidoras Antonia Aparecida Neves Silva - que detinha cargo de confiança na agência da Receita de Mauá, em São Paulo - e Adeildda Ferreira Leão dos Santos teriam recebido propina para acessar sem motivação funcional dados fiscais sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, do ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) Ricardo Sérgio e de Gregorio Marin Preciado, ligado ao presidenciável José Serra (PSDB).

De acordo com o corregedor, a apuração do Fisco indica que as informações teriam sido encomendadas por pessoas de fora da Receita e que existiria uma espécie de "balcão de venda de informações" na agência de Mauá. "Existem elementos de prova de que esses acessos supostamente teriam sido feitos mediante intermediários externos e mediante propina", disse D'Ávila, classificando o caso como "compra e venda de informações de natureza fiscal".

Na próxima segunda-feira (30), o órgão encaminhará ao Ministério Público duas representações criminais contra as servidoras por participação no episódio. O MP será responsável por enviar os dados para a Polícia Federal, que dará continuidade às investigações sob o aspecto criminal.

"As representações são por elementos de que as servidoras teriam praticado violação do sigilo funcional", completou o corregedor, evitando em falar de "formação de quadrilha" por considerar que essa classificação, se feita, deverá ser formalizada apenas pela Polícia Federal.

"Há indícios de uma intervenção feita por alguém de fora da Receita Federal e de um suposto balcão de venda de informações", resumiu o corregedor.

Redação Terra