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 Ironia marca final do debate entre candidatos ao governo de ES
13 de agosto de 2010 02h04 atualizado às 02h23

Alex Cavalcanti
Direto de Vitória

Depois de um terceiro bloco morno, em que o único momento controverso foi o pedido de direito de resposta solicitado pelo candidato Renato Casagrande (PSB), em razão de afirmações feitas pela candidata Brice Bragato (PSOL) sobre o financiamento de sua campanha, o quarto bloco do debate entre os candidatos ao governo do Espírito Santo foi marcado pela ironia dos debatedores. O primeiro lance surgiu entre Renato Casagrande e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), quando o socialista respondia a uma pergunta do tucano sobre investimentos em infraestrutura.

Luiz Paulo afirmou que o Brasil poderia ter crescido mais nos últimos anos "se o aumento de receita não tivesse sido gasto com o aumento do custeio". Disse ainda que o Espírito Santo manda dinheiro para Brasília e não vem quase nada para o Estado. "O que vem só serve para fidelizar as lideranças que trocam subserviência por favores". Casagrande não perdeu tempo e cobrou ajuda de Luiz Paulo no esforço para trazer mais investimentos federais para o Estado. "O candidato está em Brasília e poderia nos ajudar nesse trabalho".

Em sua vez de perguntar, conforme as regras do debate, Casagrande dirigiu seu questionamento à candidata Brice Bragato. Depois de questionar a candidata sobre propostas para desenvolvimento equilibrado das diferentes regiões do Estado, Casagrande aproveitou a réplica para defender que o Estado use sua força para atrair investimentos às regiões menos desenvolvidas, ainda que recorrendo a incentivos fiscais. "Temos que usar o peso do governo para atrair para essas regiões investimentos, gerando oportunidades e, com isso, emprego, habitação, saúde", afirmou Casagrande.

Foi a deixa para Brice ironizar a atuação do atual senador, que foi secretário de agricultura. "Fico impressionada como o candidato fala como se não tivesse nada a ver com isso aí. O Fundo (Regional de Combate à Pobreza) perdeu repasse desde o início do governo de Paulo Hartung, e o senhor é candidato dele. Seu governo repassou apenas 13,5%, quando o repasse deveria ser de 30%", atacou Brice.

No quinto bloco, os candidatos tiveram dois minutos para suas considerações finais. A ordem foi definida em sorteio e o primeiro a falar foi Casagrande. Ele reforçou o discurso de continuidade, afirmando que conhece o Estado e tem experiência para "avançar nas conquistas desses últimos oito anos". Casagrande afirmou ainda que tem condições de dar "passos mais largos", em função da aliança que construiu e está coordenando. "Essa aliança nos dá segurança política e administrativa para compor um governo de qualidade", frisou o senador.

Já o candidato Luiz Paulo aproveitou a oportunidade para reforçar a experiência em cargos executivos. "Fui testado e aprovado, por dois mandatos como prefeito de Vitória. Demonstrei competência, liderança política e lealdade, sem a qual Paulo Hartung não teria chegado ao governo do Estado". O tucano aproveitou para descontar a provocação de que tinha sido alvo no bloco anterior. "Se o eleitor votar em mim, vai realizar a sugestão de Casagrande, porque ele fica mais quatro anos no Senado e eu aqui no governo. Assim, nós trabalharemos juntos pelo estado", provocou Luiz Paulo.

As últimas considerações foram feitas por Brice, que destacou a postura de oposição de sua candidatura. "Há uma diferença grande entre o nosso projeto e o de nossos concorrentes. O nosso prega a inversão do que está aí, priorizando o social sobre o econômico". A candidata do PSOL ainda aproveitou os segundo finais para apelar ao bolso dos eleitores. "Nossa campanha é a do tostão contra o milhão. Vote em Brice e doe R$ 50 para nossa campanha, para a gente disputar contra os milhões dos adversários. De 50 em 50, com Brice ninguém aguenta", finalizou a candidata.

Especial para Terra