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 Caravana pró-Serra viaja para garantir campanhas estaduais
29 de julho de 2010 08h44 atualizado às 18h54

Marcela Rocha

Quando começar o programa eleitoral gratuito no rádio e na TV, a partir do dia 17 de agosto, um grupo de lideranças da coligação "O Brasil Pode Mais", que dá sustentação à candidatura à presidência de José Serra, viajará pelos 26 estados da federação. O objetivo é articular uma aproximação com outros partidos que apoiam o presidenciável tucano, mas que não estão coligados com os candidatos a governador da aliança PSDB,DEM e PPS. O assuntou foi tratado pelos presidentes das três siglas na tarde desta quarta-feira (28).

O presidente do PSDB e coordenador da campanha, senador Sérgio Guerra (PE), disse que a iniciativa deve assegurar a campanha de José Serra, nos locais onde o tucano momentaneamente não esteja visitando, e atrair lideranças que defendam a sua candidatura.

O PSDB avalia estar melhor do que em 2006, quando o então candidato Geraldo Alckmin enfrentou dificuldades pela ausência de palanques nos estados. A avaliação da cúpula tucana é de que, se viajarem defendendo o nome de Serra, asseguram a presença da campanha do candidato em todas as regiões, independentemente dos aliados nos estados apoiarem ou não candidatos tucanos ou do DEM.

Guerra avalia que há uma "tendência natural" de os partidos direcionarem mais esforços nas candidaturas estaduais em detrimento de um maior empenho na campanha nacional. Segundo o presidente do PPS, Roberto Freire, o intuito é "entrosar as campanhas estaduais com a federal". Freire usa o exemplo da Bahia, onde sua sigla não apoia Paulo Souto, do DEM, mas vota em Serra.

"Tiro ao Alvaro"
Ainda com vistas a assegurar a presença de José Serra em todos os estados o PSDB encontrou uma saída honrosa para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), preterido para o cargo de vice do presidenciável tucano, em lugar do deputado federal Indio da Costa. O paranaense se recusa a fazer campanha em seu próprio Estado, onde seu irmão Osmar Dias apoia Dilma Roussef, do PT. Alvaro não disputa eleição e tem mais quatro anos no Senado, o que lhe dá liberdade para viajar, concedendo entrevistas e colaborando com a campanha de Serra. O paranaense será um "porta-voz da campanha".

Não é a primeira vez que os tucanos têm a iniciativa de engajar os aliados na campanha nacional. Há mais de 20 dias, criaram um conselho político que se reuniria a cada 15 dias e contaria com a presença dos presidentes das agremiações aliadas, Serra, Aécio Neves e FHC. O primeiro encontro ainda não aconteceu.

Nesta terça-feira (27), Roberto Jefferson, presidente do PTB, manifestou a Guerra seu descontentamento com a "falta de campanha nas ruas" e se prontificou a colaborar mais.

De grão em grão
Embora apostem que essa campanha se dará na televisão, os tucanos pretendem enviar "kits Serra" para a casa de todos os vereadores e deputados do partido. Ainda não sabem se conseguirão viabilizar a decisão, por enquanto, só política. O partido quer evitar que os materiais de campanha fiquem mofando nos comitês estaduais, como costumeiramente ocorre, segundo reclama uma liderança do partido. Os mais descrentes acreditam que pode dar no mesmo: o material pode ficar mofando em casa.

Terra Magazine