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 "Estamos a anos-luz de Obama", diz homem de Marina para a web
29 de julho de 2010 09h06

Caio Túlio Costa, ao lado de Marina, que contou com twitaço de partidários. Foto: Ivan Pacheco/Terra

Caio Túlio Costa, ao lado de Marina, que contou com twitaço de partidários
Foto: Ivan Pacheco/Terra

Marsílea Gombata
Direto de São Paulo

Chamado pela própria presidenciável Marina Silva (PV) de o "papa" da internet, Caio Túlio Costa é um homem de poucas e diretas palavras. Focado em conquistar os eleitores e compensar os poucos recursos e tempo de TV da candidata à presidência da República com iniciativas na web que surpreendam o eleitor, Costa afirma que, no Brasil, estamos longe de repetir o sucesso de Barack Obama no uso da internet nas eleições norte-americanas de 2008. O maior desafio, na eleição brasileira, é conseguir angariar recursos pela web, diz ele.

Para o especialista em novas mídias e professor da Faculdade Cásper Líbero, e internet ainda é um terreno a ser descoberto, onde o aprendizado não tem fim e a nova geração se sai melhor do que comunicólogos. "Os internautas estão muito mais preparados do que nós, que somos os profissionais", avalia Caio Túlio.

Terra - O que vem representando a internet para a campanha de Marina Silva? O meio está preparado para receber os cerca de 70 milhões de internautas estimados no Brasil?
Caio Túlio Costa - Acho que a gente vive uma época de transição permanente. Não quer dizer que estamos indo para algum lugar e quando alcançarmos esse lugar, vamos chegar nele e pronto. Não. O movimento de transformação das comunicações é um movimento de transição permanente. Você já começa a dominar uma ferramenta, está surgindo outra e você precisa se inteirar para saber como ela funciona. E, por incrível que pareça, os internautas estão muito mais preparados do que nós, que somos os profissionais, para imediatamente passar a adotar esse tipo de ferramenta.

Terra - Por exemplo?
Costa - Veja o que foi o Orkut no Brasil e o que é hoje, um instrumento de massa. O Facebook é o que o Orkut era há três anos e está mais voltado para a classe média, para o pessoal intelectualizado. Já o Twitter pega muito mais o jovem e a vanguarda. Daqui a pouco começa a ganhar musculatura e escala, como estamos vendo. E tudo isso vem se somar ao email, ao uso dos portais e das ferramentas de comércio eletrônico.

Terra - Qual o maior desafio da eleição?
Costa - O grande desafio dessa eleição vai ser arrecadar. E nós ainda não estamos conseguindo arrecadar (contribuições financeiras) por uma questão burocrática com os cartões de crédito, as campanhas e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Estamos fazendo um esforço danado para começar o quanto antes essa arrecadação. Isso será novo e não sabemos qual será o comportamento do brasileiro, como ele reagirá do ponto de vista cultural em relação à arrecadação.

Terra - Há alguma estratégia de campanha em relação à internet?
Costa - Há, mas não posso falar. A surpresa é muito importante na estratégia, como foi o Twitaço, por exemplo.

Terra - Vocês ficaram surpresos com o resultado do Twitaço?
Costa - Ficamos muito satisfeitos, foi além das nossas expectativas. A quantidade de cadastros da Marina triplicou depois do Twitaço. Evidentemente que há um pico e depois diminui. E achamos que dá para chegar na próxima meta mais rapidamente. Em termos de campanha política, foi inédito.

Terra - A intenção é tornar a internet o mesmo que representou nas últimas eleições americanas?
Costa - Acho muito difícil fazer isso no Brasil nessa campanha. Um dos elementos é o cultural, mas esse não é o único e nem o maior problema. O Obama não usou apenas a internet. Ele usou um sistema muito complexo de CRM (customer relationship management), ferramentas muito sofisticadas de administração da relação, no caso do Obama, do candidato com o eleitor.

Terra - Então ainda estamos começando?
Costa - Nesta eleição, estamos começando a desenvolver, de maneira muito embrionária, o que chamamos de SRM (social relationship management). Mas isso, acredito, começará a andar bem no Brasil na próxima eleição. Não sei se daqui a dois anos, mas provavelmente na próxima eleição presidencial. Portanto, estamos a anos-luz de distância do sistema absolutamente sofisticado que o Obama usou. Temos ideia de como ele usou, mas também de como estamos muito longe.

Especial para Terra