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 Grajew diz que até 70% dos recursos de campanha são caixa dois
28 de julho de 2010 14h48 atualizado às 14h55

Juliana Dal Piva
Direto de São Paulo

O empresário e presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, disse durante o lançamento do site "Ficha Limpa" nesta quarta-feira (28) que, ao exigir dos candidatos a disponibilização das arrecadações de campanha semanalmente, a Abracci espera inibir a prática de caixa dois. "Até 70% de tudo o que rola no processo eleitoral vem de caixa dois", afirmou. O problema para Grajew é que o dinheiro de origem duvidosa significa a participação de atividades ilegais no processo político. "O crime organizado elege representantes que vão defender seus interesses. Isso é um câncer na democracia brasileira", completou.

Ex-assessor especial do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, entre janeiro e novembro de 2003, Grajew disse que não faltam verbas no País para melhorar a qualidade de vida da população."O importante é saber onde esses recursos vão ser aplicados e como as políticas determinam a vocação deles e, disso, depende a serviço de quem os políticos estão", observou.

O presidente do Ethos foi claro ao defender que o problema da corrupção está diretamente ligado aos interesses defendidos pelos representantes eleitos. "Criança não financia campanha eleitoral, pobre não financia campanha eleitoral, quem usa ônibus ou hospital público também não. Isso explica em boa parte porque que a qualidade do serviço é tão baixa", explicou.

Ele, no entanto, sabe que a iniciativa do site não eliminará completamente a prática ilegal. "Ao menos a sociedade pode acompanhar as contas da campanha. Grajew acredita que é necessário mudar a maneira como as doações aos partidos ocorrem. "Na hora que houver uma mudança no sistema político, no sentido de o financiamento de campanha ser mais voltado aos interesses públicos, muita coisa vai mudar e isso impacta diretamente a vida do cidadão brasileiro", apontou.

Redação Terra