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 Bispo anti-Dilma não sabe como artigo foi parar no site da CNBB
22 de julho de 2010 18h11 atualizado às 18h56

Juliana Dal Piva

O bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, confirmou ao Terra na tarde desta quinta-feira (22) a autoria do artigo em recomenda que os "verdadeiros cristãos e católicos não votem na candidata à presidência pelo PT, Dilma Rousseff", mas informou que não sabe como o texto foi parar no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

-Não mandei não, eles pegaram no site ou jornal da diocese.

O líder religioso disse também não saber que, posteriormente, o artigo havia sido retirado da página web da entidade.

De acordo com ele, a CNBB não entrou em contato devido ao episódio e nem irá procurá-lo. "Não ligaram e nem vão porque cada bispo é autônomo na sua diocese. A autoridade máxima aqui sou eu e meu superior é o Papa", explicou. No artigo, ele justificava o pedido contra Dilma pela posição do PT em relação ao aborto.

Desde a noite da última quarta-feira (21) e até o fechamento da matéria, a reportagem do Terra procurou o presidente e o vice-presidente da entidade e ninguém foi encontrado ou retornou às ligações. Na assessoria de imprensa, na ausência do padre Geraldo Martins, que fala pela entidade, assessores se recusaram a comentar o assunto.

O artigo do bispo foi publicado no site da CNBB na segunda-feira (19), mesmo dia em que saiu no site da diocese de Guarulhos. Até a noite da quarta-feira(21), a publicação estava listada entre os artigos dos bispos. Porém, já não pode mais ser encontrado na página.

Questionado porque tomou, especificamente, a posição contra a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, se os três principais presidenciáveis não pedem mudanças em relação a atual legislação - que permite o aborto em casos específicos -, Dom Luiz respondeu que a situação é diferente. "Em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Serra foi diferente", afirmou. Depois, ele fez questão de ressaltar que era não era partidário de nenhum dos candidatos. "Contra a pessoa da Dilma não tenho nada. É um direito que ela tem como cidadã, mas é meu direito também contestar e, como bispo, tenho que orientar meus fiéis", pontuou.

Apesar de já ter declarado que, pessoalmente, é contra o aborto, a candidata do PV à presidência, Marina Silva, não foi poupada de críticas pelo sacerdote. "Marina sugeriu que houvesse plebiscito, mas que é isso? Decidir se é legal matar ou não? A criança não tem direito? São dois pesos e duas medidas? A pessoa não tem a coragem de seguir a sua consciência porque nem sempre o mais fácil é o mais certo."

Dom Luiz disse que ainda não decidiu se continuará a sua "campanha" contra Dilma. "Como o povo é simples e, às vezes, não lê jornal, se eu perceber que a comunidade não está a par da situação eu vou dizer aos padres que informem aos fiéis: 'Olha, o bispo tomou a posição por esse motivo e recomenda que não se vote na Dona Dilma.'"

Histórico:
Sob o título "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", o texto de Bergonzini defende a interferência dizendo que a Igreja Católica deve se manifestar em campanhas eleitorais em casos em que um "partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família". O Bispo fez menção na nota aos Congressos Nacionais do PT de 2007 e 2010 no qual o partido ratificou o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), no qual se posicionou publicamente a favor da legalização do aborto.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou em maio, no encerramento de sua 48.ª Assembleia Geral, em Brasília, uma declaração na qual incentivou os cidadãos a escolher "pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana".

Mesmo sem referência à questão do aborto, ficou implícito, com a fala cardeal-arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, de que a Igreja não apoia candidatos que defendem a posição. "Além da descriminalização do aborto, há outras distorções inaceitáveis, como a união, dita casamento, de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por pessoas unidas por relação homoafetiva e a proibição de símbolos religiosos (em repartições públicas)", disse em coletiva.

Em janeiro deste ano, a Comissão Regional em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) distribuiu um panfleto intitulado "Presente de Natal do presidente Lula". Além de contestar o polêmico Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) proposto pelo governo, os bispos se referiam a Lula no texto como "Herodes", aquele que, segundo a Bíblia, ordenou a "matança dos inocentes". Dom Luiz, no entanto, disse que não ficou sabendo do fato.

Redação Terra