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 Sem Crivella, Garotinho tentará anular condição de inelegível
27 de junho de 2010 17h13 atualizado às 18h56

João Pequeno
Direto do Rio de Janeiro

Sem a coligação com o senador Marcelo Crivella (PRB), o ex-governador Anthony Garotinho tenta anular sua inelegibilidade nesta segunda-feira (28) para concorrer novamente ao cargo máximo do Estado pelo PR. No lugar de Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, a coligação de Garotinho terá outro evangélico fazendo dupla com o pastor da Assembleia de Deus Manoel Ferreira (PR) nas duas candidaturas ao Senado. Será o cantor Waguinho, ex-vocalista do grupo de pagode "Os Morenos", cujo partido, PTdoB, fechou apoio com Garotinho.

Para que Garotinho concorra, seus advogados tentam conseguir um embargo de declaração que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) julgará nesta segunda. A alegação é de que o TRE deveria devolver a ação à seção da Justiça Eleitoral de Campos dos Goytacazes, no norte Fluminense, onde o processo começou, mas não chegou a ter o mérito julgado.

Caso não consiga o embargo, a defesa do ex-governador tentará uma liminar no TSE. Na semana passada, seus advogados tentaram antecipá-la, mas o tribunal não acatou o pedido, afirmando que iria aguardar a decisão do TRE.

Anthony Garotinho foi declarado inelegível por uso indevido de meios de comunicação, devido a uma entrevista com sua mulher, Rosinha, em uma emissora de rádio de Campos, em 2008, onde ela viria a se eleger prefeita. Rosinha também foi declarada inelegível e o TRE-RJ ainda determinou a perda de seu mandato, que ainda ela mantém, entretanto, cabendo recurso.

O ex-governador assumiu que não terá Crivella em sua chapa no mesmo evento que havia marcado para anunciar oficialmente sua adesão, neste domingo (27). No mesmo dia, o senador disse que chegou a conversar com Garotinho, mas que seguiu a decisão do PRB de não fechar apoio oficial a nenhum candidato ao governo do Estado, tomada durante sua convenção estadual, também neste domingo.

O PRB fica até mais perto de Sérgio Cabral, já que seu presidente estadual, Victor Paulo, candidato a deputado federal, afirmou que apoiará o governador e fará campanha com ele. Será um apoio informal, sem coligação oficial, já que a decisão do diretório foi de liberar seus candidatos a apoiarem qualquer um dos candidatos de partidos da base do Governo Federal, tanto Cabral (PMDB) quanto Garotinho (PR).

Segunda essa linha, Crivella afirmou, por sua vez, que aguardará a decisão sobre a possibilidade de Garotinho se candidatar. "Eu me solidarizo com ele", disse, explicitando que torce pela liberação judicial da candidatura do ex-governador.

O senador negou que o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua candidatura o impeça de apoiar Anthony Garotinho, já que o PT fechou chapa com Cabral. "A decisão do PRB é de apoiar candidatos da base do governo Federal, o que inclui ambos", disse, ponderando, entretanto, que deve esperar a decisão sobre o recurso do ex-governador para decidir sobre quem apoiará ao Palácio Guanabara.

Especial para Terra