José Serra participou de sabatina realizada pelo jornal Folha de S. Paulo
Foto: Ricardo Matsukawa/Terra
- Marcela Rocha
- Direto de São Paulo
Em sabatina no Teatro Folha nesta segunda-feira (21), organizada pelo jornal Folha de S. Paulo, o candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, foi questionado sobre sua posição em relação ao Bolsa Família. O jornalista Fernando Rodrigues trouxe um levantamento de críticas do candidato e de outros tucanos ao programa do governo federal. Serra, por sua vez, questionou se Rodrigues tinha feito um levantamento do que Lula falava do programa antes de ser eleito. "Ele chamava de Bolsa Esmola", completou arrancando aplausos da plateia.
O tucano reforçou seu projeto de ligar o Bolsa Família ao ensino profissionalizante. "Tem que ligar a coisas que melhoram a qualidade de vida". "Temos que expandir muito o ensino técnico no Brasil, por isso eu disse que vou fazer o Pro-Tec aos moldes do Pro-Uni", afirmou.
Questionado sobre o programa partidário veiculado na semana passada, Serra disse que não acompanhou porque estava no Piauí e porque "não curte se ver na televisão", brincou. Sobre a campanha na internet, o tucano classificou como "terrorismo" as mentiras, segundo ele, espalhadas na blogosfera por pessoas que lidam com sites, blogs e mídias online, vinculadas formal ou informalmente às campanhas.
Ao final da sabatina, Serra parabenizou a iniciativa e aproveitou para alfinetar sua adversária petista, Dilma Rousseff, que cancelou sua participação no evento que entrevistaria os três candidatos, um por vez. "Vemos que esse tipo de debate não arranca pedaço de ninguém", afirmou. Durante o evento, o tucano enalteceu sua experiência em cargos administrativos e disse que "a biografia dela (Dilma) é diferente da de Lula, de FHC e da minha". "Cabe a mim ficar sempre relembrando o que fiz".
Entre os presentes na sabatina, estavam o candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seu vice Guilherme Afif, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, o presidente do PPS, Roberto Freire, e o candidato ao Senado Aloysio Nunes Ferreira. O rabino Henry Sobel também marcou presença no teatro localizado na zona oeste da cidade.
Vice
Serra afirmou que não se "estressa" com a indefinição de um nome para ocupar sua vice-presidência. "Essa não tem sido uma questão estressante para mim, nem para grande parte do PSDB", garantiu. "Como tem um prazo, estamos procurando fazer uma boa avaliação e preferimos deixar para o final do mês", detalhou.
Drogas
O tucano insinuou que o programa de combate ao crack do governo federal é eleitoreiro. "Passa sete anos e meio, olha a pesquisa e diz 'opa o combate é importante'... aí, a candidata lança um plano. Houve várias infrações da lei". Para Serra, foi uso da máquina estatal, "por exemplo, falar que é importante que o crack seja combatido e aparecer com um programa de governo depois". O candidato reiterou suas críticas à Bolívia e ressaltou que "o Brasil nunca fez pressão diplomática na direção do outro".
Campanha
O candidato se disse contra o financiamento público de campanha. "Ele não vai eliminar o paralelo, vai dar uma discussão tremenda, é público, sai dos impostos, quem quiser transgredir, transgride com os pés nas costas".
Dossiê
Sobre o suposto dossiê, Serra disse que, "diante das evidências, caberia uma medida mais dramática, reconhecer, afastar os envolvidos, pedir desculpas. 'Olha desculpe se algo aconteceu, mas estou aqui pedindo desculpas'. A melhor coisa quando se tem uma estratégia que é obvia, a melhor coisa era pedir desculpas", afirmou.
Homossexualidade
Questionado se era favorável à adoção de crianças por casais homossexuais, Serra respondeu: "se preencher os pré-requisitos de adoção... tem tanto problema grave de crianças abandonadas, que pra criança é uma salvação. Isso vale para qualquer tipo de casal, para qualquer pessoa".
Reforma Previdenciária
Serra defendeu uma reforma previdenciária que não prejudique os direitos adquiridos. "Na época da Constituinte eu queria um novo sistema previdenciário para quem estava nascendo à época", disse. "Não é para afetar ninguém com direito adquirido", detalhou.










