- João Pequeno
- Direto do Rio de Janeiro
O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, que recentemente se tornou inelegível por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), afirmou, durante encontro de militantes e políticos do PR no auditório da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), que "o medo de (governador Sérgio) Cabral não é de perder a eleição; é que ele sabe que, se a gente a ganhar, ele e boa parte do secretariado dele vão parar na cadeia". Embora não tenha relação com o processo do TRE, o governador Sérgio Cabral (PMDB) foi apontado como responsável pela ação. Garotinho ainda era companheiro de Cabral quando o processo foi movido pelo ex-prefeito de Campos Arnaldo Vianna, em 2008.
Em outra parte do discurso, que durou 40 minutos, Garotinho reforçou o tom ameaçador, dizendo que, se voltasse ao governo, Cabral e seus secretários iriam "ver o sol nascer quadrado". O ex-governador prosseguiu com as ofensas afirmando que Sérgio Cabral, morador do Leblon, aluga o apartamento de baixo para "a cachorra dele", no que um dos militantes presentes emendou com comentários insultosos à família do atual governador. "Não, é a cachorra mesmo, animal", respondeu Garotinho, rindo.
Ele disse que espera reunir 20 mil pessoas na convenção do PR, no Riocentro (zona oeste), marcada para o dia 27 - mesma data do PMDB de Cabral.
Antes de discursar, o ex-governador teve o auxílio de aliados nos ataques - alternados contra Cabral e o TRE -, a começar por sua filha Clarissa Garotinho, vereadora na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. "Por que foram trazer um caso de 2008 logo agora? Porque é agora que acontecem as convenções e se lançam os nomes dos candidatos", acusou. Em seguida, ela chamou Sérgio Cabral de "covarde, porque, se ele fosse homem, viria para a disputa com a gente" e ainda afirmou que a saída do pai seria favorável para o governador "poder ver a Copa, sem precisar fazer campanha" - embora a período oficial permitido para a campanha eleitoral só comece em julho.
Em seguida, o deputado federal Geraldo Pudim (PR-RJ), braço direito de Garotinho em Campos, acusou Cabral de querer "ser candidato único, nomeado, como no tempo da ditadura". Em seu breve discurso, Pudim ainda teve tempo de atropelar a prerrogativa legal da Justiça Eleitoral, dizendo que "o povo não deu procuração para o TRE decidir quem pode ou não se candidatar". Uma das funções dos TREs é justamente a de julgar processos de inelegibilidade.
- Especial para Terra



