Eleições 2010

Fale conosco
 
 

Notícias » Eleições » Eleições

 Para Marina, alteração em Ficha Limpa não muda posição do PV
21 de maio de 2010 14h57 atualizado às 15h28

Davi Lemos
Direto de Salvador

A pré-candidata à presidência pelo PV, Marina Silva, considerou como "um verdadeiro gatilho" a alteração no texto do projeto Ficha Limpa, através de emenda do senador Francisco Dornelles (PP/RJ). Ela disse que havia a compreensão de que estava mantida a coerência do projeto, mas viu o risco de as regras não valerem para as eleições deste ano. Marina ressaltou que isto não mudaria o quadro dentro do partido, pois a direção nacional do PV já havia deliberado pela exclusão dos fichas-sujas de concorrer no pleito de outubro. "Mas não entendo como uma emenda de redação muda a substância da matéria", questionou a senadora.

Durante a coletiva realizada no Othon Palace Hotel, onde na manhã deste sábado (22) serão lançadas as candidaturas ao governo e ao Senado dos deputados federais Luiz Bassuma e Edson Duarte, respectivamente, Marina também foi questionada sobre suas convicções religiosas, a causa gay e as pesquisas com células-tronco. "O Estado brasileiro é laico, e o Estado laico não é Estado ateu, ele assegura os direitos de quem crê e de quem não crê". Contudo, lamentou aquilo que chamou de visão preconceituosa dos que a apontam como fundamentalista. "É extrapolação achar que por ser cristã, num país onde 90% das pessoas professam a fé cristã, sou preconceituosa", defendeu-se a candidata verde.

Quanto às questões envolvendo o movimento gay, foi taxativa em dizer que não ergueria a bandeira do movimento, da mesma forma como não ergueria a dos sem-terra. Sobre o presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, que afirmou que deixava o PV por discordar de Marina, ela considerou uma pena a saída do militante: "mas respeito a todos que saíram do partido, assim como os que estão no PT hoje me respeitam".

Marina reiterou que é contrária à pesquisa com células-tronco embrionárias, mas a favor dos experimentos com células adultas.

Sem planejamento
Quando questionada sobre as obras de Belo Monte, a senadora disse que ainda hoje perduram os mesmos problemas de quando se iniciaram as discussões sobre a construção da usina, há 20 anos, quando a índia caiapó Tuíra avançou com um facão contra um diretor da Eletronorte. "Defendo que o leilão seja suspenso até que se resolvam as questões ambientais e sociais com os índios", disse.

Ela apontou ainda um novo problema no já complexo imbróglio de Belo Monte, a viabilidade econômica: "as empresas que mais conhecem Belo Monte não entraram no processo (de licitação), preferindo entrar indiretamente por outras empresas. Alguma coisa está muito estranha nisto". Junto às críticas à usina, a candidata verde acabou criticando o PAC e a "mãe do PAC", a pré-candidata do PT à presidência Dilma Roussef. "Não temos planejamento estratégico para infraestrutura. O PAC não é um programa, é uma junção de obras, é gerência de obras", qualificou.

Especial para Terra