Rio de Janeiro (RJ)

Segunda, 29 de dezembro de 2008, 23h10

Rio não renovará convênio com entidade esotérica

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Ana Paula Verly

O futuro secretário de Obras da prefeitura do Rio de Janeiro, Luiz Antônio Guaraná, afirmou que não pretende renovar o contrato com a Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC). Depois dos oito anos de confiança depositados pelo prefeito Cesar Maia na entidade, que se diz capaz de previsões e alterações meteorológicas, o clima da cidade passa a ser preocupação exclusiva do secretário.

"Nem sei que contrato é esse. A equipe de transição não me passou nada. Agora, acreditando ou deixando de acreditar, o fato é que nos últimos seis anos a prefeitura deu muita sorte. Pode ter sido por causa do cacique. Eu, pessoalmente, não acredito", disse Guaraná.

Em seu ex-blog, o prefeito Cesar Maia enumerou no domingo cinco tópicos a favor da renovação do contrato, sem ônus para os cofres públicos. Também combateu a postura de Guaraná, a quem acusou de "fazer pouco" do tema.

"Há oito anos que as chuvas no Rio podem até gerar alagamentos, mas nunca mais ocorreram cenas e imagens de rios caudalosos e barcos improvisados pelas ruas e carros boiando e gente morrendo e famílias desalojadas, como vimos nestes anos em centenas de cidades brasileiras", disse o prefeito.

Guaraná preferiu acionar a Geo-Rio, a Secretaria de Transporte e as áreas de planejamento, as quais pediu um levantamento dos pontos onde há risco maior de alagamento, desmoronamento de encostas e falta de drenagem.

"A gente vai tentar minimizar os efeitos de uma chuva maior que porventura venha a cair. A limpeza das galerias de águas pluviais leva de três a quatro meses. O plano verão deveria ter começado em agosto para estarmos preparados para enfrentar as chuvas até março", disse o futuro secretário de Obras.

O diretor de assuntos corporativos e relações governamentais da FCCC, Osmar Santos, disse que, se surgir algum alerta, não hesitará em procurar o governador ou o novo prefeito, como fez em junho, quando alertou a prefeitura sobre o "excesso de precipitação em curto espaço de tempo" a partir de novembro.

Sem demonstrar chateação com o rompimento do convênio, Osmar, entretanto, preferiu não detalhar o prognóstico para a estação. "Teremos verão de água com guaraná", disse.


Jornal do Brasil