Eleições 2008

Terça, 9 de dezembro de 2008, 04h04

Paes reclama que herdará rombo de R$ 400 mi

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Caiu em quase a metade, do domingo para ontem, o superávit no caixa da Prefeitura do Rio, de acordo com os dados do Rio Transparente. Enquanto a receita subiu de R$ 9,8 bilhões para R$ 9,9 bilhões, a despesa saltou de R$ 9 bilhões, para 9,5 bilhões. Essa flutuação dos dados disponíveis prova não ser tão fácil definir a esta altura a realidade financeira da prefeitura. O prefeito Cesar Maia afirma que haverá sobra de R$ 400 milhões. O seu sucessor, Eduardo Paes, reclama que herdará um rombo estimado justamente nesse valor.

O fato é que corre em clima bélico o processo de transição. A três semanas de encerrar ciclo de 16 anos no comando da máquina municipal, Maia e o sucessor, antigo pupilo e adversário político, têm sido protagonistas de embates verbais um tanto virulentos para a saúde administrativa da cidade. Paes acusou Maia de falta de transparência em relação à situação financeira da prefeitura e foi acusado de ser ruim em matemática.

"Fazer contas nunca foi o forte dele. Trabalhou comigo há 10 anos e precisava de ajuda para fazer cálculo de porcentagem", ironizou.

O prefeito eleito se queixa da falta de detalhamento nas informações.

"Não sabemos que tipos de compromissos ainda faltam ser pagos por essa administração. Se a prefeitura tiver dinheiro em caixa eu serei o primeiro a comemorar, desde que não sejam feitas operações que causem prejuízo aos servidores ou ao fundo de previdência."

A Lei Orgânica obriga a prefeitura a abrir as informações.

"Mas isso não vem ocorrendo. Espero que as informações do atual prefeito sobre a situação econômica da Prefeitura do Rio estejam corretas, mas não é isso que temos visto", reclamou o novo prefeito. "Em dezembro, há o momento em que várias contas surgem. E a atual administração precisa responder por elas, até pelas razões da Lei de Responsabilidade Fiscal. Estamos manifestando nossa preocupação quanto ao Tesouro."

Títulos do tesouro
Operações de última hora com títulos da Previ-Rio - em medida que gerou a exoneração da presidente do fundo, Dalila Ferreira, em outubro - também são "preocupantes" na opinião de Paes:

"Se há 800 milhões em caixa (até domingo passado), como afirma o prefeito, não há necessidade de uma operação que vá gerar prejuízo ao servidor. O Tesouro tem títulos que vencem a longo prazo, e a operação de troca vai significar um valor menor quando isto entrar no mercado. Eu quero chamar a atenção do servidor público para este problema. Os agentes políticos entram e saem, mas o servidor permanece. E ele precisa estar atento porque é ele, servidor, quem garante que o agente político não cometa absurdos como esse. Se houver prejuízos, vamos tomar todas as medidas legais cabíveis."


Jornal do Brasil