São Paulo (SP)

Sexta, 7 de novembro de 2008, 20h38 Atualizada às 21h05

Associação: custo médio para candidato foi US$ 14 por voto

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Daniel Carmona
Direto de São Paulo

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop) aponta que o custo médio para um candidato à prefeitura obter um voto na última eleição foi de US$ 14. Já no caso de um vereador, o valor estimado é de US$ 8. De acordo com Carlos Manhanelli, presidente da associação, os números expressam o custo de um voto e não necessariamente o gasto feito pelos candidatos.

Em todos os Estados, cerca de 80 consultores fizeram o levantamento nas capitais e cidades do interior, e o valor expresso em dólar ocorre devido à estabilidade da moeda e à facilidade na comparação com o custo eleitoral em outros países.

Em São Paulo, o prefeito e candidato eleito Gilberto Kassab divulgou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) a previsão de limite máximo de gastos de campanha no valor de R$ 30 milhões. No segundo turno, ele obteve 3,7 milhões de votos. Se o número de votos for multiplicado pelo valor de cada um (US$ 14), o custo da campanha de Kassab ficaria em US$ 53 milhões, um valor bem acima do declarado pela campanha do candidato.

Manhanelli explica que a diferença existe pois o candidato já dispõe de uma estrutura partidária, o que reduziria o valor direto da campanha.

"Isso só comprova o quanto é difícil para um candidato inexpressivo conseguir ser eleito. Ele certamente não tem uma máquina partidária influente e bem estruturada em comparação com os candidatos de grandes partidos. Para ser eleito, ele tem que começar quase que do 'zero', o que não ocorre em grandes partidos", explicou Manhanelli.

O fundo partidário tem o objetivo de arrecadar dinheiro para a manutenção das legendas e para investir nas campanhas eleitorais a cada dois anos. No caso de legendas menos expressivas, o dinheiro obtido para o fundo ao longo dos anos tende a ser menor em comparação aos partidos de maior expressão.

Isso justificaria um investimento mais elevado de um candidato de um partido menos expressivo, já que ele precisaria compensar o investimento realizado pelas "grandes legendas" ao longo dos anos.


Redação Terra