Rio de Janeiro (RJ)

Quinta, 6 de novembro de 2008, 10h22 Atualizada às 10h42

Paes reafirma que vai introduzir aulas de religião nas escolas

  • Notícias

O prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), garantiu ao arcebispo, cardeal Dom Eusébio Scheid, que vai introduzir o ensino religioso nas escolas municipais. Após o encontro, Paes reafirmou que a promessa será cumprida. O cardeal deixou claro que na campanha deu apoio ao ex-candidato por conta da defesa de princípios morais, principalmente em relação ao aborto e às drogas.

"Ele (Paes) ratificou e condicionou o voto de muitos. Porque nós estávamos realmente querendo isso como um princípio de governo", explicou o arcebispo, em relação ao ensino religioso. Dom Eusébio disse que, apesar de ter mantido um bom relacionamento com o prefeito Cesar Maia, ele teria "deixado a desejar" nesse ponto, já que a religião não é ensinada nas escolas municipais, ao contrário do que ocorre na rede estadual.

De acordo com o cardeal, o município já pode pôr o ensino em prática, já que há profissionais habilitados não só entre os católicos, mas também em outras religiões. O material didático também está aprovado e disponível. Apesar de esperar a criação da cadeira o mais rápido possível, ele admite que a oferta será gradual.

Paes também previu uma implantação em fases e garantiu que o ensino será opcional ¿ nenhum aluno será obrigado a estudar religião à qual não pertence. Ele pretende estabelecer parcerias entre a Igreja Católica e outras religiões que tenham atuação na assistência social.

"Durante o processo eleitoral, eu já tinha conversado com o cardeal, e esse é um compromisso que eu pretendo cumprir. Não dá para fazer isso do dia para a noite, mas com respeito ao Estado laico e às outras religiões, é uma postura bastante adequada", explicou Paes.

Sem citar nomes, Dom Eusébio criticou adversários de Paes que não teriam firmado os mesmos compromissos éticos e morais. Segundo ele, a Igreja não poderia ficar indiferente a políticos que já defenderam a liberação das drogas, como Fernando Gabeira (PV), e o aborto, como Jandira Feghali (PCdoB).

A adoção do ensino religioso nas escolas municipais divide educadores e religiosos. O pastor Odalirio Luis da Costa, da Igreja Congregacional de Acari, aprovou a medida. "Ele vai gerar o debate em sala de aula e em casa com os pais, além de despertar a curiosidade nos estudantes sobre a religião, seja ela qual for", acredita.

Segundo o pastor evangélico, o ensino religioso nas escolas permitirá também que os alunos tenham contato com a teoria criacionista. "As escolas ensinam que o homem veio do macaco. Com a religião, as crianças saberão que o homem veio de Deus", acrescentou.

Para Estela Scheinvar, da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a inclusão da disciplina nas escolas da rede pública vai contra antigas reivindicações da sociedade para o ensino brasileiro. "Desde a década de 20, sempre se buscou ensino gratuito, universal e laico (não-religioso)", comentou.

A falta de professores e infra-estrutura nas escolas da rede pública são entraves apontados por Estela para difundir a catequese. "Os conteúdos religiosos são formas de demarcar espaços de controle político. A maior bancada do Congresso é formada por grupos religiosos", criticou.

Nas escolas da rede estadual, o ensino religioso é confessional e plural. Ou seja, o estudante informa a sua religião para ter aulas, em turmas separadas, com professores concursados ligados a determinadas instituições religiosas.


O Dia